A Campanha de Princesa: O nego, a morte de João Pessoa, o nome da cidade e a bandeira.

Compartilhe!


     Para melhor se explicar o que foi a Campanha Princesa é necessário se conhecer dois fatos muito importantes e inter-relacionados que ocorreram durante a gestão de João Pessoa na Presidência da Paraíba, que foram o “nego” e o rompimento político com o Deputado José Pereira, os quais, a seguir,  relataremos de forma sintética.

O “Nego”

João Pessoa Cavalcante de Albuquerque foi eleito Presidente do Estado da Paraíba em 1928, defendendo uma plataforma de Governo caracterizada pela austeridade administrativa e restauração dos prin­cípios da ética política.

         Ao efetivar esse projeto, como era natural, inúmeros inte­resses políticos foram contrariados, inclusive de muitos correligionários do Governo. Egresso da magistratura, onde exerceu as funções de Ministro do Superior Tribunal Militar, João Pessoa exerceu o Governo com imparcialidade e voltado para os problemas sociais, de tal forma que, de imediato, angariou a simpatia do povo, tornando-se um grande líder popular.

A firmeza de suas posições e os princípios que defendia, fez com que, aos poucos se afastasse do Governo Federal, o que foi, finalmente, formalizado em 29 de julho de 1929, quando negou ao Presidente Washington Luís, o apoio solicitado à candidatura do seu sucessor Júlio Prestes. O  telegrama que João Pessoa emitiu teve a seguinte redação.
  Paraiba, 29-julho-1928
 Deputado Tavares Cavalcanti:
 Reunido o diretório do partido, sob minha presidência política, resolveu unanimemente não apoiar a candidatura do eminente Sr. Júlio Prestes à sucessão presidencial da República. Peço comunicar essa solução ao líder da Maioria, em resposta à sua consulta sobre a atitude da Paraíba.
 Queira transmitir aos demais membros da bancada essa deliberação do Partido, que conto, todos apoiarão, com a solidariedade sempre assegurada.
 Saudações:
 João Pessoa, Presidente do Estado da Paraíba
          Esse fato, conhecido como o "Nego", fez com que João Pessoa ganhasse notoriedade em todo território nacional, em fase da peculiaridade do momento político e a coragem e independência política que a decisão representava, considerando o grau de dificulda­de que qualquer Estado teria, naquela época, para sobreviver sem apoio do Governo Federal. Apenas Minas Gerais e Rio Grande do Sul assumiram essa posição, o que fez surgir a Aliança Liberal.

  O Rompimento Político com o Deputado José Pereira

Em meio a esse clima de efervescência política, João Pessoa acabou se tornando candidato a Vice-Presidente da República, na Chapa de Getúlio Vargas. As eleições foram realizadas no dia 1º de Março de 1930.
Iniciada a campanha, João Pessoa empolgou o eleitorado paraibano, onde, como seria natural, se esperava uma vitória com larga maioria. O Deputado Estadual José Pereira, líder político com base eleitoral em Princesa, cidade localizada no Sertão Paraibano, era um dos grandes aliados políticos de João Pessoa. No dia 18 de fevereiro, João Pessoa, em plena Campanha Eleitoral, visitou José Pereira, em sua residência, onde foi recebido com todas as honras de Chefe de Estado e de grande líder popular. Nessa visita João Pessoa estava acompanhado apenas do seu Assistente Militar, o Tenente Coronel Elísio Sobreira.
Uma das mudanças que João Pessoa defendia era a reforma eleitoral, com a instituição da Justiça Eleitoral e do voto secreto, o que por certo, não agradava aos políticos tradicionais que se elegiam através do chamado voto de cabresto ou dos currais eleitorais. Essas ideias, por certo, inquietavam a José Pereira e tantos outros Coronéis da Política. Esse fato e uma possível ligação com o Governo Federal podem ter contribuído para que José Pereira, já no final da campanha resolvesse romper politicamente com João Pessoa, o que foi formalizado através de um Radiograma datado de 23 de fevereiro, portanto, seis dias antes da eleição.
A justificativa apresentada por José Pereira foi confusa, ora se reportando à sua exclusão da lista de candidatos a Deputado Federal, feita por João Pessoa, ora alegando comentários desairosos feitos pelo Presidente contra sua pessoa, em reunião da cúpula do Partido Governista. O fato é que a partir de então, José Pereira rompia politicamente com João Pessoa.

Objetivos da luta armada

Para afastar João Pessoa do poder, José Pereira pretendia criar um clima de desordens na Paraíba, que justificasse ao Governo Federal efetuar uma intervenção no Estado.
Para tanto, grande número de cangaceiros da região e de outros Estados, foi recrutado, para, sob a direção de José Pereira, ocupar as cidades vizinhas a Princesa, em atitude de desafio ao Governo Estadual. Inicialmente, foram ocupadas as cidades de Santana dos Garrotes, Nova Olinda, Imaculada, Água Branca e Teixeira.

             Dispondo de armamento e munição fornecida, sutilmente pelo Governo Federal, e pago a razão de 3 mil réis por dia por José Pereira, o número de cangaceiros foi cada vez mais aumentando. No dia 1º de março, grupos de cangaceiros impediram a realização das eleições em Santana dos Garrotes e Piancó. Estava deflagrado o movimento.

Os preparativos do Governo para a luta

O 1º Tenente João da Costa e Silva se encontrava em Areia onde era Delegado, quando, no dia 2 de março de 1930, foi informado, pelo Dr. Severino Procópio, Chefe de Polícia, da decisão do Presidente João Pessoa, de deslocá-lo para o Sertão a fim de organizar uma Tropa para combater os insurretos de Princesa.  Reunindo em Patos, os Destacamentos de Campina Grande, Cabacei­ras, Barra de Santa Rosa, Serraria, São José dos Cordeiros, Patos e Sousa, o Tenente Costa formou no dia 4 de março, um efetivo de 55 Praças e mais os 2º Tenentes Severino Alves de Lira, Raimundo Nonato e José Guedes.
Deixando esse efetivo em Patos, João Costa seguiu na mesma data  para Souza com o objetivo de recrutar mais efetivo dos Destacamentos,
Informado de que a cidade de Teixeira estava prestes a ser invadido por grupos armados, a mando de José Pereira, o Tenente Severino Alves de Lira, com um efetivo de 20 Praças, partiu de Patos pela manhã no dia 4 de março, a fim de reforçar o Destacamento daquela cidade. Na tarde daquele dia chegou a Patos, vindo da Capital, um efetivo de 30 Soldados recrutas, sob o Comando do Tenente Elias Fernandes.
À noite, o Tenente Costa retornou a Patos e ao tomar conhecimento da situação de Teixeira,, para lá se dirigiu com uma patrulha de 38 homens,  chegando às proximidades daquela cidade às primei­ras horas da manhã do dia seguinte, no momento em que um grupo de cangaceiros tinha iniciado o ataque àquela localidade. A defesa da cidade era feita pela patrulha do Tenente Alves Lira e pelo Destacamento local, formado por cinco Soldados, Comandados pelo Tenente Acendino. Atacados pela retaguarda, pela patrulha do Tenente Costa, e pela frente, pelo Destacamento da cidade, os cangaceiros depois de 4 horas de tiroteio fugiram, em direção a Imaculada, deixando oito mortos.
Finda a luta, na tarde do dia 5 de março, o Tenente Costa deixou o efetivo em alerta, em um ponto estratégico, e voltou a Patos, de onde retornou na manhã seguinte, conduzindo o Tenente Elias Fernandes e seus 30 recrutas e mais algumas Praças reunidas naquela cidade.
A partir de então, o Tenente Costa passava a dispor de um efetivo de 112 homens, que passou a ser denominada de Coluna Costa ou Coluna Leste.

O plano de ação
Profundo conhecedor da área onde estava atuando, e do inimigo que combatia o Tenente João Costa, após a luta de Teixeira elaborou e encaminhou ao Comandante Geral um plano geral para o combate ao movimento de Princesa, que obedecia ao seguinte:
Princesa seria atacada por três pontos: Uma Coluna, seguindo o eixo Teixeira, Imaculada e Água Branca, aguardaria em Tavares o momento do ataque.  Seria a Coluna Costa ou Coluna Leste. Outra Coluna, partindo de Piancó, aguardaria em Nova Olinda. Seria a Coluna Centro. A Terceira Coluna, denominada Oeste, partindo de Con­ceição aguardaria o momento do ataque em Lagoa Nova, atual Manaíra.
Esse plano foi enviado aos Escalões Superiores e com pequenas modificações começou a ser montado. O efetivo de cada Coluna deveria ser em torno de 100 homens, pois, segundo raciocinava o Tenente Costa, esse seria um efetivo fácil de mobilizar e, portanto, apto aquele tipo de luta.

Os meios humanos e materiais

O efetivo da Força Pública, denominação da Polícia Militar, da época, em 1930, era de 870 homens, conforme definia a Lei nº 697, de 11 de novembro de 1929.
Com esse efetivo, não era possível dar combate aos cangaceiros de Princesa e manter a Ordem Pública em todo Estado. No dia 6 de março daquele ano, foi criado um Batalhão Provisório, destinado a recrutar efetivo, exclusivamente para combater o movimento de Princesa. Nesse Batalhão eram incluídos civis comissionados como Oficiais e convocados Oficiais reformados.  Para comandá-los foi convocado o Capitão reformado Irineu Rangel. O Batalhão Provisório previa reunir um efetivo de 800 homens, porém, nunca chegou a ficar completo. Sem tempo para que fosse efetuado um treinamento, esse efetivo era militarmente despreparado, resultando do fato, muitas deserções.
O armamento que a Corporação dispunha nessa época, era basicamen­te Fuzil Mauzer modelo 1895 e modelo 1908, Manuliche e Comblain. Mas o que mais preocupou os Comandantes foi a falta de munição. Era muito difícil para o Presidente João Pessoa adquirir qualquer tipo de material bélico, em virtude de uma permanente vigilância exercida pelo Exército, que por ordem de Washington Luís não permitia que chegasse ao Governo condições de combater os cangaceiros de Princesa.
Outro dilema para a Tropa que vivia na prática de Patrulhas Volantes, em perseguição a cangaceiros, era o desconforto que o fardamento e o equipamento convencionais provocavam. Para melhor se enquadrar ao meio e a missão, a Coluna do Capitão Costa fez as seguintes adaptações no fardamento e equipamentos: Alpargatas, ao invés de borzeguins e perneiras; e ,Bornais de lona, substituindo as mochilas convencionais. Com essas adaptações, a tropa ganhava mais mobilidade.
O problema mais sério enfrentado pelas Colunas que combateu em 1930, entretanto, foi o de mantimento. Por falta de recursos, inclusive transporte, não era possível manter ligação e suprimentos suficientes aos diversos pontos onde as Tropas se instalavam. Por conta disso, eram escaladas patrulhas para colher mantimentos  nas redondezas, onde as tropas se achavam. Era feijão, milho, gado, bode, galinha, sal, rapadura, fumo, e até utensílios domésticos que eram colhidos nos sítios abandonados ou tomados dos proprietários. Deve-se ter cometido muitos abusos nessas.

  A atuação da coluna leste

  A tomada de Imaculada

           Enquanto o Governo organizava o Batalhão Provisório e recrutava efetivos de outros locais para formar as outras duas Colunas que cercariam Princesa para um ataque final, a Coluna de João Costa dava continuidade às lutas iniciadas.
       Vencidos os cangaceiros em Teixeira, o Tenente Costa organiza a Coluna, e parte em perseguição ao inimigo que fugiu em direção a Imaculada. Deixando um efetivo em Teixeira sob o Comando do Tenente Acendino, a Coluna partiu com aproximadamente 100 homens, às 16 horas do dia 7 de março, pernoitou no sítio Coronel, na estrada que liga Teixeira a Imaculada, e no dia seguinte, efetua a marcha de aproximação para Imaculada, chegando às suas cercanias às 9 horas. Com os Pelotões do Tenente Lira pelo flanco direito, do Tenente Guedes pelo flanco esquerdo e do Tenente Elias Fernandes pelo centro, o ataque foi iniciado, pegando de surpresa os cangaceiros.
Como a Coluna dispunha de pouca munição, a ordem foi economizar, instigando os cangaceiros a atirar, o que era feito com facilidade. Logo se percebia que a munição dos cangaceiros começava a se acabar. Mesmo assim a luta durou até às 14 horas, quando, sem munição o inimigo começou a fugir, abandonando as posições que eram logo ocupadas pela Coluna. Imaculada estava em poder da coluna Costa no dia 9 de março.
Tomadas as medidas de segurança com a construção de trincheiras e a instalação de piquetes, a Coluna comunicou a Patos o resultado da luta e ficou aguardando ordens. No dia 12 de março, chegou à Coluna um reforço de 20 homens e três mil cartuchos. No dia seguinte, o Coronel Aragão Sobrinho, Oficial do Exército, que Comandava a Força Pública, comunicou que estava em Patos com o Estado Maior, para Comandar a Operação e que a Coluna se mantivesse em Imaculada aguardando ordens. Mais 10 homens foram incorporados a Coluna, no dia 16 daquele mês.
O Estado Maior saiu de Patos e se instalou em Piancó no dia 17 de março. Nessa cidade, com efetivo recrutado para o Batalhão Provisório, Comandado pelo Capitão Irineu Rangel, o objetivo do EMG era organizar as Colunas que iriam atacar pelo oeste e norte de Princesa.

A ocupação de Água Branca

A Coluna Costa recebeu do Capitão Irineu Rangel, na manhã do dia 24 de março, ordem de partir de Imaculada e ocupar Água Branca. Às 14 horas daquele dia a Coluna, deixando um efetivo de 20 homens em Imaculada para garantir a ligação com Teixeira e Patos, partiu para Água Branca. Depois de pernoitar no sítio Escuma, nas proximidades de Água Branca, a Coluna ocupou aquela cidade sem encontrar resistência. Na manhã do dia 25 de março, o inimigo já tinha fugido em direção a Tavares.
No dia 26, o Tenente Costa manteve entendimentos pessoais com o Capitão Irineu Rangel, que estava com sua Tropa nas proximidades de Água Branca, e juntos combinaram um plano para atacar Tavares. Ficou definido que a Coluna do Capitão Rangel estacionaria nas proximidades de Tavares no lado norte, aguardando que a Coluna Costa iniciasse o ataque pelo lado leste, para também atacar. A essa altura os Tenentes Raimundo Nonato e Acendino Feitosa, que tinham ficado em Teixeira, quando a Coluna Costa de lá saiu, já se encontrava em Piancó, organizando patrulhas para realizar diligências pelo lado oeste de Princesa.

A tomada de Tavares

Deixando 25 homens sob o Comando do Sargento Manuel Ramalho em Água Branca, a fim de garantir a ligação com Patos, via Imaculada e Teixeira, a Coluna Costa partiu de Água Branca em direção a Tavares, na manhã do dia 27 de março, com um efetivo de 110 homens, armados a base de 100 cartuchos cada.
Pernoitando no Sítio Glória naquele dia e no Sítio Gavião no dia seguinte, a Coluna se aproximou de Tavares às 16 horas do dia 29 de março. Depois de efetuar um amplo reconhecimento do terreno e da situação, o Tenente Costa se dispôs a iniciar o ataque à noite, o que não era comum em tais circunstâncias. Com o Pelotão do Tenente Lira pelo flanco esquerdo, e do Tenente Guedes pelo flanco direito e do Tenente Elias pelo centro o ataque foi iniciado às 18 horas, pegando os cangaceiros de surpresa. Ainda com dificuldades com munição, a tática de economia de tiro e instigação do inimigo foi repetida, pela Coluna. O tiroteio, por sua vez, durou toda noite.
Pela manhã, em consequência da claridade, o Pelotão do Tenente Lira ficou exposta aos fogos dos inimigos, obrigando um recuo daquele setor, ocasião em que morreram seis Soldados e 10 ficaram feridos. O Tenente Costa improvisou, na retaguarda da posição da Coluna, uma enfermaria para atender aos feridos. Uma Esquadra, do Pelotão do Tenente Elias deixou, sem ordens, sua posição e se dirigiu para a enfermaria, onde o Tenente Costa fez a Esquadra voltar e quando ela tomara posição foi atingida, morrendo um Cabo e um Soldado.
Ainda na manhã do dia 30, um grupo de cangaceiros, contornando a posição da Coluna, atacou a enfermaria improvisada, pela retaguarda, utilizando arma automática. O Tenente Costa, recolhendo um homem de cada posição formou uma patrulha sob o Comando do Tenente Manoel Coriolano Ramalho, que contornando a posição dos atacantes, contra-atacou pela sua retaguarda. Utilizando séries de tiros sincronizados, a patrulha do Tenente Ramalho simulou emprego de metralhadora o que causou pânico ao inimigo que se pôs em retirada.
Às 16 horas começaram a enfraquecer as posições dos cangacei­ros. Uma hora depois a cidade estava tomada pela Coluna Costa. A luta foi tão intensa que o Tenente Costa e seus comandados não perceberam que, desde as primeiras horas da manhã do dia 30, a Coluna do Capitão Irineu Rangel também atacava a cidade pelo lado norte, conforme se havia combinado. Só depois da ocupação da cidade foi possível o contato entre as Colunas. Desse combate resultaram oito mortes, 10 feridos e 28 deserções, reduzindo a Coluna a um efetivo de 64 homens.
No dia seguinte,em 31 de março, a Coluna do Capitão Irineu Rangel retornou a Piancó, e o Tenente Costa iniciou a fortificação da cidade, com a construção de trincheiras, e pediu reforço e munição ao EM sediado em Piancó.
No dia 3 de abril, por ato de bravura, foram promovidos pelo Presidente João Pessoa, os seguintes: A Capitão, o 1º Tenente João da Costa e Silva; e a 1º Tenente os 2º Tenentes José Guedes da Silva, Elias Fernandes e Severino Alves de Lira. O reforço solicitado pela Coluna Costa, chegou a Tavares no dia 5 de abril. Era um Pelotão de 30 homens Comandado pelo Tenente Raimundo Nonato, conduzindo 5 mil cartuchos.

O cerco de Tavares

Depois de fortificada a defesa de Tavares, o Capitão Costa iniciou o reconhecimento do terreno nas cercanias da cidade. Havia indício da presença de cangaceiros nas proximidades. Na manhã do dia 7 de abril, uma Patrulha de Reconhecimento foi emboscada, tendo de retornar à cidade com urgência. Na tarde daquele dia Tavares foi atacada por todas as direções, iniciando-se um cerco que durou 18 dias. No dia 8, um Soldado foi morto quando transitava entre os piquetes. Esse fato fez aumentar as precauções da Coluna.
Para evitar se transitar pelas ruas foi construída uma espécie de corredor ligando as casas entre si, através de buracos feitos nas paredes das casas conjugadas. Nas ruas foram feitas valas atravessadas que ligavam os corredores entre as casas. Para fazer economia de munição, a Coluna respondia aos tiros dos cangaceiros com gritos, insultos e pancadas em latas, portas, janelas ou outros meios capazes de fazer barulho, provocando o inimigo a atirar mais ainda.
Foi descoberta, dentro de uma casa, uma cacimba de onde era retirada água para abastecimento da Coluna.  Nos paios das casas também foi encontrado grande quantidade de milho que serviu como alimentação. Toda alimentação era à base de milho, inclusive uma espécie de chá, que denominavam de café. Esse chá era adoçado com rapadura, também encontrado naquela cidade. A rapadura era racionada a base de uma para cada seis homens durante três dias. A comida era feita por uma mulher de nome "Chiquinha", viúva de um Soldado e que acompanhava a Coluna desde Teixeira. A iluminação era feita com velas e pavios de folhas e gravetos molhados de azeite de carrapateira.
No dia 9 de abril, furando o cerco do inimigo, chegou a Tavares um reforço de 27 Soldados Comandado pelo Sargento Afonso Costa. A Coluna, a partir de então, passou a contar com um efetivo de 121 homens aptos para o combate. A vigília era permanente, com o efetivo se revezando e os Oficiais em constante fiscalização. Nas horas vagas, a diversão dos Soldados era improvisar versos ou recitar as letras de folhetos de cordéis, ou ainda, amolar as facas-peixeiras que conduziam presas ao cinto com o cabo para baixo, de forma a facilitar o seu saque;
Tomando conhecimento da situação de Tavares, o Capitão Irineu Rangel com sua Coluna, partiu de Piancó, no dia 23 de abril, em direção àquela cidade. Atacando o inimigo pela retaguarda, o Capitão Rangel pôs fim ao cerco a Tavares no dia 25 de abril.
Restaurado o sossego em Tavares, a Coluna do Capitão Rangel partiu, no dia 29, de volta a Piancó, indo se encontrar, na Fazenda Glória, perto de Água Branca, com uma patrulha sob o Comando do Tenente Benício, que vinha da Capital do Estado escoltando uma Estação de Rádio, chefiada pelo Sargento Severino Bernardo.
Da Fazenda Glória a Coluna do Capitão Rangel seguiu para Piancó e a Estação de Rádio, a F.P. 5, em um caminhão Chevrolet, seguiu para Tavares, com mais 40 homens. Foram também instaladas Estações de Rádios em Patos (F.P. 2), Piancó (F.P. 3) e Alagoa Nova, atual Manaíra (F.P. 4). A F.P. 1 estava instalada na torre do Liceu, na época funcionando no prédio Próximo ao Palácio da Redenção e que atualmente abriga a Faculdade de Direito. Era através da Estação  F.P. 1 que o Presidente João Pessoa se comunicava com toda tropa envolvida nessas lutas.

A tomada de Sítio Novo

Depois da suspensão do cerco de Tavares, a Coluna Costa com mais reforço, munição e a presença da Estação de Rádio, a F.P. 5, ganhou novo ânimo. A organização das outras Colunas que atacariam Princesa, conforme o plano traçado tinha ganhado novo impulso a partir do dia 4 de maio, com a substituição do Tenente Coronel Aragão Sobrinho no Comando da Força Pública, com sede em Piancó, pelo Tenente Coronel Elias Sobreira.
O Presidente João Pessoa não confiava no Tenente Coronel Aragão Sobrinho, que era do Exercito e, portanto, devia lealdade ao Presidente Washington Luís. Por esse motivo foi solicitada a liberação do Coronel do Exército Aristarco Pessoa, que era irmão de João Pessoa, mais o Exército não liberou.  Por esse motivo Elísio Sobreira, que era Assistente Militar do Governador, assumiu o Comando da Força Publica, que era a denominação da Polícia Militar na época.
A Coluna Costa continuou aguardando ordens, em Tavares, para iniciar o ataque geral à Princesa. O Estado-Maior, desejoso de adquirir melhores informações sobre as posições do inimigo, determinou ao Capitão Costa que efetuasse patrulhas de reconhecimento, partindo de Tavares em direção a Princesa.
Na manhã do dia 10 de maio, uma patrulha, composta por 99 homens, Comandada pelo Tenente Guedes, partiu de Tavares com destino a Princesa, com a finalidade de realizar reconhecimento. Nas proximidades do local conhecido por Sítio Novo, a patrulha foi emboscada, ficando impedida de continuar ou recuar.
Informado da situação, o Capitão Costa deixou o Tenente Elias Fernandes com 45 homens, fazendo a Guarda de Tavares, e seguiu para o Sítio Novo, com os 12 homens restantes.
Devido à superioridade numérica do inimigo e sua posição privile­giada nos altos dos rochedos, a Coluna ficou sem condições de reação imediata. Ainda fazendo uso de controlada cadência de tiro, a Coluna limitou-se à defesa. O tiroteio se prolongou por toda tarde e noite daquele dia. Não tinha como se beber ou comer nada. Na manhã seguinte, o Capitão Costa conseguiu trazer pipoca de Tavares, e distribuir com a Tropa para incentivar a salivação e disfarçar a sede. Só depois do meio dia foi possível servir água e comida. E a luta continuou, por todo aquele dia.
 Na manhã do dia 12, o Capitão Costa trouxe de Tavares algumas bombas liberais, uma espécie de foguetão que diziam ter efeito lacrimogêneo. Esse material tinha sido enviado da Capital, juntamente com a F.P. 5. Na tarde daquele dia, o Capitão Costa começou a experimentar essas bombas, que eram dirigidas contra as posições do inimigo.
Nos primeiros disparos, registrou-se imediato efeito. Os canga­ceiros se apavoraram e começaram a abandonar suas posições. Animados, a Coluna se pôs em marcha, e ao som das cornetas e efetuando fortes descargas de tiro, foram avançando até ocupar todas as posições do inimigo.  Já transcorriam 54 horas de lutas. Eram 17 horas do dia 12 de maio. Sítio Novo estava ocupado. A Coluna, por sua vez tinha vencido a luta.
Organizado o terreno para fortalecer a defesa e estabelecidos diferentes caminhos para ligação com Tavares, objetivando mais segu­rança no percurso, a Coluna ficou dividida, ocupando as duas posições, Sítio Novo e Tavares. Os Escalões Superiores foram informados do ocorrido através da F.P. 5.
No dia 10 de maio, um Soldado, que exercia a função de magarefe da Coluna, foi atingido por um tiro na boca, quando tentava se aproximar de um boi, que os cangaceiros tinham deixado como "isca" para uma emboscada perto de uma cacimba, nas proximidades de Tavares.
Sem assistência médica adequada, e sem poder se alimentar em virtude do ferimento na boca, o Soldado veio a falecer de inanição no dia 20 de maio, depois de 10 dias de sofrimento, dele e de toda Tropa que a tudo assistia sem nada poder fazer.
Um novo reforço chegou a Tavares, no dia 16 de maio, composto de 60 homens, sob o Comando do Capitão Emerson Benjamim, Oficial que tinha sido demitido, por questões políticas, da Polícia Militar de Pernambu­co, e que havia sido incluído na Polícia da Paraíba, no mesmo posto.  Depois de deixar o reforço com João Costa, o Capitão Benjamim retornou a Piancó
Com o Capitão Benjamim vinham também mais 11 mil cartuchos e bombas liberais. O Capitão Costa recebeu nesse período, um radiograma do Dr. José Américo, Secretário de Segurança, indagando da possibilidade de emprego, naquela área, de um carro blindado que tinha sido adaptado em Campina Grande. A oferta foi aceita, porém o veículo não foi enviado. Na verdade tratava-se de uma adaptação de um jeep que estava sendo feita em Campina Grande, mas que não deu o resultado esperado.
A Estação de Rádio (F.P. 5) era alimentada por um motor movido à gasolina, que se acabou nos primeiros dias. O Sargento Severino Bernardo, profundo conhecedor do equipamento, improvisou uma roda, feita com madeira retirada das portas das casas, que fazendo girar outra roda menor, tipo engrenagem de casa de farinha, produzia acumulação de energia, suficiente para fazer o Rádio funcionar em média 30 minutos por dia.  Era empregados 6 homens, durante 6 horas por dia, em um trabalho que exigia muito esforço físico, mais que valia a pena, pois o Rádio era a única fonte que dispunham para se comunicar com o resto do mundo.
Nessa situação, com 216 homens e aproximadamente 15 mil cartu­chos, a Coluna ficou aguardando a formação das outras Colunas e a ordem para efetuar o ataque ao último reduto do inimigo, a cidade de Princesa.
Capítão João Costa  - Comandante da Coluna Leste

  A atuação do coluna norte

  A tomada de Alagoa Nova (Manaíra)

Alagoa Nova, hoje Manaíra, e na época Distrito de Princesa, estava ocupada por grupos de cangaceiros. Uma parte da Coluna Norte, sob o Comando do Capitão Emerson Benjamim, estava acantonada em Boaventura, quando, no dia 27 de maio, recebeu ordem do Capitão Irineu Rangel para marchar sobre Alagoa Nova. Contando com a participação dos Tenentes João Francelino, Manuel Benício, Acendino Feitosa, Antônio Benício e João Guedes, o contingen­te partiu de Boaventura e às 12 horas do dia 31 de maio, chegou ao Sítio Queimadas, a 2 km de Alagoa Nova.
A partir dessa localidade, a Tropa marchou em formação de combate e logo estabeleceu contato com o inimigo, iniciando-se a troca de tiros às 13 horas, prolongando-se até às 18 horas. Na manhã seguinte, a luta foi reiniciada, com avanços progressivos das Tropas do Capitão Benjamim. A luta durou até às 17 horas, quando os cangaceiros começaram a abandonar suas posições. Um cangaceiro foi preso, e 12 foram mortos nessa luta. As baixas na Força Pública foram de 7 Praças feridas. Na manhã do dia 2 de junho, Alagoa Nova estava sob o domínio das Forças Legais, iniciando-se a construção da defesa. No dia 13 daquele mês, o Capitão Irineu Rangel estabeleceu a sede do Batalhão Provisório naquela localidade.
 A atuação da coluna oeste e o fim das lutas

  Formação e combates

Estando formadas e em operação, as Colunas Comandadas pelos Capitães Costa e Irineu Rangel, que no ataque final a Princesa atuaria, respectivamente, pelos setores leste e norte, daquela cidade, faltava a Força Pública efetivar a organização da Coluna que atuaria pelo setor oeste. Com esse objetivo, foram convocados os Tenentes José Maurício da Costa e João Pereira e o Aspirante a Oficial Ademar Naziazene, além do civil, comissionado 2º Tenente, Horácio Queiroz.
Com um efetivo de 167 homens, todos pertencentes ao Batalhão Provisório, criado especificamente para esses combates, essa Coluna  partiu de Piancó no dia 4 de junho, em direção a Alagoa Nova, atual Manaíra. No dia seguinte, a Coluna, sob o Comando do Tenente Maurício, passou em Santana dos Garrotes, de onde partiu para Nova Olinda, aonde chegou à manhã do dia 7 daquele mês. Na noite daquele dia, a Coluna Oeste chegou a Alagoa Nova, juntando-se a Coluna do Capitão Irineu Rangel, a Coluna Norte.
De Alagoa Nova, a Coluna Oeste, Comandada por José Maurício, reforçada com uma parte da Coluna Norte, completando um efetivo de 400 homens, partiu no dia 11 de junho, em direção aos Sítios Cajueiro e Laje da Onça, localidade nas proximidades de Princesa, onde aguardariam o momento do início do ataque geral. Depois de enfrentar diversas emboscadas no percurso, a Coluna Oeste se instalou nos Sítios Cajueiro e Laje da Onça, dando início a construção de trincheiras para garantir a posição, e a ligação com Alagoa Nova. Nessa posição a Coluna foi atacada nos dias 14, 23 e 25 de junho, repelindo a todos sem maiores dificuldades.
No dia 17 de junho, "O Garoto", um avião do Governo, conseguido com grande sacrifício pelo Presidente João Pessoa, que  foi doado pelo Governo de Minas Gerais, e que se destinava a estudar a área para efetuar um bombardeio aéreo em Princesa, sobrevoa as posições da Coluna Oeste, despertando grande entusiasmo na Tropa. Na mesma data, esse fato ocorria em Tavares e Sítio Novo, ocupados pela Coluna Leste.
Desde o dia 11 de junho a cidade de Princesa estava cercada com as três colunas prontas para fazer o ataque final. A possibilidade de derrota da tropa legal era mínima.  Mas João Pessoa temia que havendo uma invasão ocorresse um banho de sangue, pois não acreditava que os cangaceiros fossem se entregar.
A  finalidade do sobrevoo  do “garoto” foi lançar panfletos nas trincheiras dos cangaceiros  concitando-os a se entregar sob garantia do Governo.
As Colunas ficaram aguardando ordem par ao ataque final por mais de 40 dias.
Tenente José Maurício - Comandante da Coluna Oeste

  Suspensão dos combates

Na manhã do dia 27 de julho, a Coluna Oeste tomou conhecimento da morte do Presidente João Pessoa, através do mensageiro, vindo de Alagoa Nova, onde estava instalada uma Estação de Rádio, a F.P. 4. Essa notícia provocou na Tropa um sentimento de desilusão e ódio, o que tornou difícil a manutenção da disciplina. A vontade da Tropa era invadir Princesa, independente de ordem e vingar a morte de João Pessoa, que era atribuída ás ações desenvolvidas por José Pereira. Nesse clima, a Coluna ficou no aguardo de munições e ordens para o ataque.
No dia 29 daquele mês, a Coluna recebeu mais 30 mil cartuchos, ficando em condições de iniciar o ataque. Nessa situação a Coluna permaneceu por mais de 20 dias, até que em 19 de agosto, quando  o Tenente Maurício recebeu ordem do Capitão Irineu Rangel de efetuar a retirada da posição e retornar a Piancó, terminando assim a sua participação nessas lutas.
No período que passou em Cajueiro e Laje da Onça, a Coluna Oeste tinha muitas dificuldades para receber suprimentos. Um grupo de fazendeiros da região, leais ao Presidente João Pessoa, tinha se comprometido a fazer esse abastecimento, porém não tinha como cumprir essa tarefa. Manter uma Tropa de 400 homens durante tanto tempo, exigia grande quantidade de alimentos, que era denominada de "munição de boca". Por esse motivo eram destacadas patrulhas com a finalidade de "achar suprimentos" nos sítios vizinhos aos que a Tropa estava instalada. Nessas patrulhas eram recolhido milho, feijão, gado, bode, galinha, ou seja, tudo que pudesse servir de alimentação à tropa.
Tenente Ademar Naziazene - Integrante da Coluna Oeste

A retirada do Sítio Novo e o regresso para Patos

A Coluna Costa já estava sustentando as posições de Tavares e Sítio Novo há 36 dias, quando recebeu novo ataque, no dia 18 de junho. Sem condições de manter as duas posições a Coluna abandonou Sítio Novo e concentrou todo efetivo, na tarde daquele dia, em Tavares. No dia seguinte, os cangaceiros cercaram Tavares, mantendo essa situação até o dia 22, quando foram repelidos por forte ofensiva da Coluna. Reorganizada a defesa, a Coluna recebeu novo reforço, composto por 70 homens, sob o comando do Capitão Manuel Viegas, que conduzia também 20 mil cartuchos. Agora com um efetivo total de 286 homens e com suficiente munição, a Coluna estava pronta para marchar contra Princesa, só faltava chegar à ordem. Mais 35 dias se passaram sem que se concretizasse o ataque final, quando, no dia 27 de julho, o Capitão Costa foi informado, através de Radiograma, da morte do Presidente João Pessoa. Em clima de grande comoção, revolta e ameaça da quebra da disciplina, a Coluna continua guardando posição, até o dia 17 de agosto, quando recebeu ordem para regressar para Patos.
Integrante da Coluna Leste

O desastre de Água Branca

Para ser efetuada a ofensiva final a Princesa era indispensável o ataque por três frentes diferentes, o que exigia a formação de mais uma Coluna, além das Comandadas pelos Capitães Costa e Irineu Rangel. Entretanto, essa providência demorava a ser tomada, o que causava dificuldade para a manutenção da Tropa em sua posição. Tentando abreviar o fim da luta, o Capitão Costa solicitou um reforço de 200 homens para, só com sua Coluna, efetuar o ataque ao último reduto do inimigo.
Com esse fim, no dia 29 de maio, partiu da Capital do Estado, um efetivo formado por Destacamentos da região do Brejo e parte do contingente da Capital e da Guarda Cívica. Em Campina Grande esse efetivo foi reforçado por milicianos ali destacados. A Tropa, que seguia de caminhão, deslocou-se até Teixeira, onde era aguardada por mais um reforço Comandado pelo Tenente Genésio, vindo de Taperoá. O percurso da cidade de Teixeira a Imaculada foi feito sem anormalidade, porém, nas proximidades de Água Branca, a Tropa foi assaltada por um grupo de cangaceiros fortemente armados, utilizando inclusive metralhadoras. Esse fato ocorreu no dia 2  de junho de 1930.
Desse ataque resultou a morte do Tenente Genésio e de dezenas de Soldados, além da total destruição dos caminhões, por incêndio. Alguns Soldados foram presos pelos cangaceiros e outros desertaram. Foi a ocasião, nessa Campanha, em que se verificou o maior número de baixa na Força Pública.

Fim das Lutas

Com a morte de João Pessoa, os objetivos políticos de José Pereira deixaram de fazer sentido. Uma Companhia do Exército ocupou Princesa e José Pereira fugiu pelo sertão de Pernambuco. Os efetivos das Colunas que estavam participando da luta pelo lado norte e oeste foram recolhidos para Piancó e a Coluna de João Costa foi recolhida para Patos. Esses efetivos aí permaneceram  até o início da Revolução que depôs Washington Luiz, em 3 de outubro e tiveram importante participação nesse evento. Por ocasião desse movimento, de caráter nacional parte desse efetivo concentrado em Patos, ainda levado por sentimentos de fidelidade a João Pessoa, foi dividido e passou a integrar grupos de batalhões de caçadores, formado por tropas do Exército e civis voluntários, que lutaram em favor das causas revolucionárias. O Tenente Coronel Elísio Sobreira, com a titulação de coronel revolucionário, comandou um desses grupos que se deslocou, pelo sertão de Pernambuco, até Salvador, conseguindo nesse percurso, adesão das unidades do Exército. Um grupo, com os mesmos objetivos, seguindo no rumo norte, chegou até Belém, obtendo idênticos resultados. Após as lutas da revolução nacional, o batalhão provisório foi extinto.
Capitão Irineu Rangel - Comandante do Batalhão Provisório

O Registro dos Fatos

Todos esses fatos são relatados com riquezas de detalhes na obra "A campanha de Princesa", de autoria de João Lélis de Luna Freire, publicada em 1944, e reeditado em 1991 pela Editora Universitária.
João Lélis foi correspondente do Jornal União, durante toda Campanha, acompanhando a Coluna Costa, tendo, portanto, vivenciado os fatos, que descreve com elegante estilo literário, em sua obra. Em 1932, quando a Polícia Militar participou das lutas contra os Revolucionários constitucionalistas de São Paulo, João Lélis, na condição de Tenente Comissionado, integrou um dos Batalhões Provisó­rios que foram criados somente para esse fim.
Tenente Coronel Elísio Sobreira - Comandante Geral da tropa em operação

  Perfil do Presidente João Pessoa

João Pessoa nasceu em 24 de janeiro de 1888, na cidade de Umbuzeiro e em 1890, com 12 anos de idade, iniciou o curso clássico, equivalente ao ensino médio atual, no Liceu Paraibano. Ao terminar esse curso, em 1894, ele assentou praça como soldado voluntário no 27º Batalhão de Caçadores, Unidade do Exército que era sediada na capital paraibana. Nessa situação o Soldado Pessoa permaneceu até 1896, quando ingressou na Escola Militar em Realengo, no Rio de Janeiro, onde pretendia fazer o Curso de Formação de Oficiais do Exército. No início de 1897, quando o Cadete João Pessoa iria iniciar o segundo ano do curso, ocorreu uma rebelião em Quartéis do Exército, no Rio de Janeiro, na qual alguns cadetes tiveram participação.  Independente de uma apuração mais profunda que pudesse identificar o grau de envolvimento da cada cadete, todos que tinham iniciado o curso no ano anterior, inclusive João Pessoa, foram expulsos e degredados para a cidade de Belém do Pará. Em junho de 1897, João Pessoa ingressou outra vez no Exército, como Soldado, no Batalhão de Artilharia de Posição, sediado na cidade de Belém. Nessa nova condição de soldado, ele permaneceu até abril de 1898, quando foi licenciado por incapacidade física.
Anos depois, quando terminou o Curso de Direito na Universidade de Recife, João Pessoa ingressou na Justiça Militar da União, em 1910. Seguindo a carreira no magistério, ele chegou a Ministro do Superior Tribunal Militar, onde permaneceu até 1928, situação em que, por certo, teve oportunidade de desenvolver seu espírito militar. Esses fatos demonstram a obstinação de João Pessoa em fazer carreira militar. Foram mais de dois anos como soldado, mais de um como cadete e 18 como Ministro do Tribunal Militar.
Em qualquer curso de formação militar, de praça ou de oficial, nos primeiros dias são desenvolvidas atividades destinadas a criar nos alunos o necessário condicionamento para absorver o intenso rigor disciplinar a que serão submetidos ao longo da carreira.   Normalmente nessas situações os alunos que apresentam uma maior aptidão para a vida militar conseguem se adaptar com maior facilidade o que faz com que os valores por eles introjetados nesse período tenham uma repercussão maior nas suas vidas. A insistência de João Pessoa em seguir a vida militar, mesmo depois de ter sido expulso do Exército e de uma forma que ele considerava injusta, é indício de que ele tinha aptidão para o convívio com a disciplina. É, pois, possível que essas experiências tenham marcado muito sua vida.
Portanto, é natural que essa formação militar de João Pessoa, mesmo que de forma tumultuada, tenha contribuído para o desenvolvimento da sua personalidade, o que pode explicar parte da forma austera como governou o Estado, a rejeição que ele fazia a movimentos revolucionários, a discordância com a política adotada pelo Governo Federal, e a sua intransigência com os atos de desordem praticados por grupos armados a mando do Deputado José Pereira, com o objetivo de obter uma intervenção federal na Paraíba.
João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque - Presidnete da Paraaíba - 1928/1930
 
A morte de João Pessoa e as consequências imediatas na Paraíba
       João Duarte Dantas (Nascido em 12 de junho 1888, em Mamanguape e falecido em 6 de outubro de 1930 em Recife) era filho de Franklin Dantas, um líder político com atuação na região das cidades de Monteiro e Teixeira, na Paraíba, durante as duas primeiras décadas do século XX. Franklin Dantas foi aliado de Augusto Santa Cruz, que em 1912, quando este tentou perturbar da ordem pública naquela área através da atuação de um grupo de cangaceiros. O intuito desse movimento era provocar intervenção federal no Estado e em consequência o afastamento de João Machado de presidência do Estado.  Naquela época João Dantas era Acadêmico de Direito e teve participação nessas ações.
     Em 1930 João Dantas era aliado político do grupo adversário do Presidente João Pessoa e Advogado atuante na Capital da Paraíba, que na época era também denominada de Paraíba.  O escritório de João Dantas era em um prédio localizado na Rua Duque de Caxias, nas imediações de onde atualmente está instalada a agência do Bradesco, local que também servia de residência, uma vez que ele era solteiro. Nesse prédio também funcionava a sede da Liga Desportiva da Paraíba.
    Esse escritório de João Dantas foi invadido pela Polícia no dia 10 de julho de 1930. Há, pelo menos, duas versões sobre o motivo dessa ação policial. Um delas afirma que naquele dia um dos diretores da Liga Desportiva Paraibana, o Senhor Anquieses Gomes comunicou à polícia que o tal escritório tinha sido arrombado o que levou a polícia a empreender diligências no local. Outra, a mais corrente, diz que o Secretário de Segurança, Ademar Vital, tinha recebido denúncia de que João Dantas estava armazenando armas e munição para remeter ao grupo de José Pereira. De direito o Secretário de Segurança era José Américo, mas esse se encontrava no sertão dirigindo as lutas contra os grupos de cangaceiros liderados por José Pereira.
+Por essa razão Adamar Vital estava interinamente respondendo pela Secretaria de Segurança.  A informação de que João Dantas estaria guardando armas e munição no seu escritório levou a polícia a invadir o local. Qualquer que seja a versão correta o fato é que nessa busca foram encontradas duas armas e poucos cartuchos, que foram apreendidos.  Mas o que casou repercussão foi a apreensão de alguns documentos, entre os quais correspondências privadas de João Dantas com sua amante Anaíde Beiriz, uma professora primária em Cabedelo, filha de um gráfico do jornal A União e muito conhecida e admirada por suas ideias avançadas para a época.
    O fato da invasão do escritório foi amplamente noticiado no Jornal A União, órgão do Governo do Estado, entre os dias 23 e 25 de julho enfocando os aspectos políticos da situação, notadamente o fato de se constatar que um adversário do Governo guardava arma e munição em seu escritório com o intuito de remetê-las para o grupo de José Pereira na cidade de Princesa. E aqui surgem diferentes versões. Para uma o Jornal também publicou a correspondência particular já mencionada, o que atingia a vida privada de João Dantas.  Para outra, que me parece mais factível, o Jornal não publicou tais cartas, mas que elas teriam sido expostas nas dependências do Jornal. Há também a versão de que o Jornal teria publicado que as cartas encontradas eram impublicáveis pelos seus conteúdos eróticos, o que igualmente atingia a intimidade de João Dantas.
    O Jornal A União circulava em Recife e Olinda. Naquela época João Dantas estava morando em Olinda na casa do seu Augusto Moreira Caldas
    No dia 25 de julho João Pessoa resolveu que no dia seguinte iria visitar o seu amigo Cunha de Melo, Juiz Federal que estava internado no Hospital Centenário, em Recife. Naquela época o Governo da Paraíba estava esperando uma carga de armamento e munição que desembarcaria em Recife. Como o Governo Federal por certo iria apreender todo esse material, pois não queria que a Paraíba recebesse armas para lutar contra os cangaceiros de Princesa, que eram seus aliados, João Pessoa pretendia ajuizar uma ação de interdito proibitório, com a finalidade de impedir essa fiscalização. João Pessoa foi conversar com Cunha de Melo sobre a viabilidade de um pedido nesse sentido.
    Os auxiliares do Governo temendo que o noticiário do Jornal A União pudesse provocar reação violenta dos adversários políticos de João Pessoa residentes em Recife, onde o Governo não era aliado do Chefe político da Paraíba,  ficaram apavorados com essa viagem e tentaram demover João Pessoa dessa ideia, mas ele foi resoluto e dispensou qualquer forma de segurança.
    Dessa forma, João Pessoa, na noite do dia 25 de julho, assinou o livro de passagem de Governo para o Vice Governador Álvaro de Carvalho, e logo sedo do dia seguinte,  partiu para Recife no seu automóvel Buick dirigido por José da Silva e auxiliado por Antônio Pontes.  Depois de visitar o Juiz Cunha de Melo, João Pessoa cumpriu outros compromissos ainda no centro do Recife.  Entrou no atelier fotográfico Piereck e fez uma fotografia, e em uma joalharia onde comprou uma joia para sua filha e almoçou com um grupo de amigos daquela cidade. Aproximadamente às quatro e meia da tarde, João Pessoa, juntamente com Agamenon Magalhães, Caio Lima Cavalcanti, Alfredo Dias e outros amigos entraram na Confeitaria Glória, na Rua Nova, no centro de Recife, para tomar um chá. Era tarde de um sábado e a Confeitaria e tinha muita gente na Confeitaria.
     Naquele dia João Dantas tinha saído de bonde, de Olinda para Recife e nesse transporte tomou conhecimento, através da leitura da edição do dia do Jornal A União, que João Pessoa estava visitando amigos no centro do Recife. Em seguida João Dantas voltou para casa se armou com um revolver calibre 32, pegou outro bonde e seguiu para Recife, onde percorreu diversos locais a procura de João Pessoa. Nesse percurso João Dantas esteve em um hotel onde fez contato com o Deputado Federal João  Suassuna e com Júlio do Nascimento Lira, segundo vice Presidente da Paraíba e que estava rompido politicamente com João Pessoa. Segundo conta no Inquérito, João Dantas também teve contatos, nesse percurso, com Augusto Caldas, o seu cunhado e com quem ele residia em Olinda.
      Aproximadamente às cinco horas da tarde João Dantas soube onde João Pessoa estava e para lá se dirigiu.   João Dantas entrou no local e efetuou disparos contra João Pessoa, que foi atingido no braço no peito e nas costas. Quando João Dantas tentou sair do local foi agarrado por Agamenon Magalhães e outras pessoas presentes, mas, mesmo assim, se desvencilhou e quando chegava perto da porta de saída foi atingido por um tiro de raspão na testa que foi desferido por Antônio Pontes, o auxiliar do motorista de João Pessoa. Desacordado João Dantas foi detido e preso em flagrante.  João Pessoa foi conduzido para uma farmácia localizada em frente à Confeitaria, onde faleceu em cima do balcão, e um popular cobriu seu corpo com uma bandeira do Brasil.  Antônio Pontes foi preso, também em flagrante, acusado de tentativa de homicídio contra João Dantas.
João Duarte Dantas
Quando a notícia desse fato chegou à Paraíba o desespero foi geral. Ainda durante a noite a população revoltada saiu às ruas e incendiou as casas dos adversários políticos de João Pessoa.  Houve manifestações desse tipo em diversos pontos da cidade ao mesmo tempo. Uma noite de terror. Grande parte do efetivo da Polícia Militar estava no sertão nas lutas contra dos grupos de José Pereira. A cidade contava com poucos policiais para conter a multidão.   Essa situação durou vários dias e atingiu algumas cidades do interior. Os adversários políticos de João Pessoa eram do Partido Republicano e por isso era denominados de perrepistas. Adotavam como símbolo o uso de um lenço vermelho no pescoço. Muitos desses políticos e seus familiares que residiam na capital se refugiaram no Quartel do 22º Batalhão de Infantaria em Cruz das Armas, atual 15º BIMotz.
      Diante da situação o Coronel Maurício, Comandante do 22º BI se prontificou a fazer o policiamento da cidade, mas Álvaro de Carvalho, que tinha assumido Governo do Estado não aceitou. O Exercito passou então a fazer apenas a segurança das casas dos adversários de João Pessoa.
     O corpo de João Pessoa foi embalsamado em Recife e transportado ainda na madrugada do dia 27 de julho, de trem para a capital da Paraíba.
     Depois de paradas em Itabaiana, Pilar e Santa Rita, onde ocorreram muitas manifestações populares, o Trem chegou à capital paraibana aproximadamente às doze horas. Da Estação Ferroviária o corpo foi conduzido por uma multidão em desespero e revoltada, caminhando pelo centro da cidade, passando no Palácio do Governo, e seguindo para a Igreja Catedral onde ficou exposto à visita pública até o dia 1º de agosto, portanto durante cinco dias. Durante todo esse tempo foi grande a comoção popular. Um irmão de João Pessoa, Coronel José Pessoa, um dos mais valorosos Oficiais do Exército na sua época, veio do Rio de Janeiro participar das honras fúnebres em nome da família.
    No dia 1º de agosto, em meio a muita chuva, o corpo de João Pessoa saiu da Catedral para a Estação Ferroviária de onde embarcaria para Cabedelo. O cortejo era acompanhado da Banda de Música da Polícia Militar, que em certo ponto do percurso deixou de tocar porque os músicos, levados pela emoção, ficaram impossibilitados de manusear os instrumentos e caíram no choro.  Quando o féretro chegou à Estação Ferroviária, o Exército prestou as homenagens correspondentes a um General de Exército, prerrogativa que João Pessoa tinha duplamente, pelo fato de ser Presidente do Estado e Ministro aposentado do Superior Tribunal Militar.  Aproximadamente às doze horas do dia 1º de agosto o corpo embarcou em um navio e seguiu para o Rio de Janeiro. Uma multidão se juntou na praia de Tambaú para dar adeus ao navio que transportava o corpo de João Pessoa. O sepultamento ocorreu na Capital Federal na presença dos familiares da ilustre figura que ali residiam.     No Rio de Janeiro ocorreram muitas manifestações de solidariedade, mas com ostensivas conotações políticas com viés revolucionárias.
    Em 1997 os restos mortais de João Pessoa e da sua esposa Maria Luiza foram transladados para a Paraíba e se encontram em sepulcros nos jardim ao lado do Palácio da Redenção.
     Álvaro de Carvalho, que substituiu João Pessoa no Governo do Estado teve muitas dificuldades para conduzir a Administração. Pressionado pelos seus aliados para manter a política de João Pessoa com o  afastamento de Washington Luís e atraído por acenos de conciliação do Governo Federal, Álvaro de Carvalho foi se fragilizando e acatando as propostas dos seus aliados, que também recebiam forte pressão popular.
    Nesse contexto, no dia 4 de setembro de 1930, Álvaro de Carvalho sancionou a seguinte Lei.
Lei 700
   Autoriza ao Governo do Estado as dar a denominação de João Pessoa à capital do Estado.
  O Presidente do Estado da Paraíba.
 A Assembleia Legislativa do Estado Decreta e eu sanciono a seguinte lei.
  Art. 1º - A Capital do Estado da Paraíba passará a denominar-se João Pessoa.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
 Palácio do Governo do Estado da Paraíba, em 4 de setembro de 1930, 41º da Proclamação de República.
            Álvaro de Carvalho
                Ademar Vitor de Menezes Vital José Américo de Almeida
               Flodoaldo Lima da Silveira
           Ainda nesse clima de pressão popular a Assembleia Legislativa resolveu prestar outra homenagem a João Pessoa, Desta vez foi a criação da conhecida bandeira do nego. O projeto de Lei, que tomou o número 6, foi aprovado e encaminhado ao Governador, que o vetou com os seguintes fundamentos:
   Usando das atribuições que me confere o artigo 2º da Constituição do Estado e, considerando que o projeto nº 6 é, em suas linhas gerais, como nas minúcias da sua organização, uma simples criação de partido; considerando que a bandeira de qualquer Estado é, antes de tudo, um símbolo de vida normal, uma síntese ideal das aspirações coletivas ou da ambiência em que envolve a alma do povo que a elege; considerando que a frase inscrita na bandeira que ele cria não é histórica nem figura no telegrama em que o Presidente João Pessoa negou apoio à candidatura de Júlio Prestes; considerando que – o nego – desacompanhado de qualquer explicação é, por si só incompreensível, e encerra um grito de puro negativismo, resolvo vetar este projeto, devolvendo-o à Assembleia para que cumpram os dispositivos constitucionais que requerem o caso. João Pessoa, 23 de setembro de 1930.
       Ao examinar o veto, a Assembleia o sancionou, com os seguintes termos:
Assembleia Legislativa  do Estado da Paraíba decreta:
 Art. 1º - Terá o Estado sua bandeira própria, cujo uso será regulado por decreto do Poder Executivo.
 Art. 2º A bandeira será rubro-negra, cores que se disporão em faixas paralelas, de igual largura entre si, em plano horizontal e na proporção de um centímetro por metro.
Art. 3º No alto da bandeira, respetivo lado esquerdo, haverá um paralelogramo, em fundo rubro, que ocupará um oitavo do símbolo. No paralelogramo inscrever-se-á um círculo azul, com a legenda, em letras negras, “5 de agosto de 1585”, e cercado de tantas estrelas quantos forem os municípios do Estado, e contornando , periferia, por fitas brancas, na proporção de um milímetro por metro.
Imediatamente abaixo do paralelogramo, também em fundo rubro, figurará, na proporção aludida, a palavra “nego”, seguida da inscrição “29 de julho de 1929”.
Art. 4º - Restaurar-se-á, para todos os fins oficiais, o hino do Estado; e para todos os efeitos respectivos, continuarão vigorando as armas e o escudo da Paraíba.
Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.
    Sala das Sessões, 9 de setembro de 1930.
*A data é a mesma da remessa do projeto remetido ao Governador
      Assim, estava definida a mudança do nome da Capital do Estado, que passou a denomina-se  João Pessoa,  e  foi adotada  da bandeira do nego.
    O Inquérito que apurou a morte de João Pessoa foi elaborado pelo Desembargador de Pernambuco João Paes, ou seja, foi um Inquérito judicial. Foram indiciados como autores do crime o Bacharel João Duarte Dantas, e o seu cunhado Augusto Moreira Caldas, contra quem foi expedido mandado de prisão preventiva. Segundo concluiu o Inquérito, Augusto Caldas teria sido o autor do disparo que atingiu João Pessoas pelas costas. Foram ainda indiciados, como partícipes, o Deputado Federal pela Paraíba João Suassuna e João do Nascimento Lira, segundo vice Presidente da Paraíba, ambos adversários políticos de João Pessoa. Antônio Pontes foi indiciado como tentativa de homicídio contra João Dantas. Todos foram denunciados pelo Promotor Cândido Marinho da Silva.
    Quando ocorreu a revolução de 3 de outubro de 1930, a cadeia onde João Dantas e Augusto Caldas estavam presos, no centro do Recife, foi invadida, no dia 6 de outubro, e eles foram assassinados, mas a versão oficial é que eles se suicidaram. Dias depois João Suassuna foi assassinado por um fanático no Rio de Janeiro. Júlio Lira ficou impedido de ser o substituto eventual do Presidente da Paraíba. Anaíde Beiriz se suicidou pouco depois da morte de João Dantas.
       Antônio Pontes integrou o grupo de civis que invadiu o Quartel do 22ª BC, em Cruz das Armas, no dia 3 de outubro de 1930, iniciando a revoluções no nordeste. Posteriormente ele ingressou na Polícia Militar Paraíba, aonde chegou ao posto de Coronel e, anos depois, foi assassinado quando exercia as funções de Delgado de Polícia na Cidade de Cabedelo.

Compartilhe!

Posts Relacionados:


Deixe um comentário

1 Comentário em "A Campanha de Princesa: O nego, a morte de João Pessoa, o nome da cidade e a bandeira."

Notificação de
avatar
Ordenar por:   Recentes | Antigos | Mais Votados