Síntese histórica do 2º Batalhão

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1.  Introdução

Criada em 03 de fevereiro de 1832, com a denominação de Corpo de Guardas Municipais Permanentes da Paraíba, a Polícia Militar distribuiu seu efetivo em setores denominados de Companhias, cuja existência variava entre duas e quatro, todas subordinadas diretamente ao comando Geral da corporação. Com a necessidade da interiorização das ações de polícia, em 1835 teve início a criação de Destacamentos da Força Policial, nome da corporação nessa época, com a instalação dos destacamentos de Areia e Pombal.
A partir de então, todas as sedes de comarcas passaram a contar com esse tipo de serviço. Para coordenar as atividades desses Destacamentos foram, criadas em 1912, sete Inspetorias, funções estas ocupadas por Alferes. As sedes das Inspetorias eram nas principais cidades do interior mais distantes da capital como Campina Grande, Monteiro, Patos, Souza, Cajazeiras, Catolé do Rocha, e Itaporanga. Durante alguns anos, Campina Grande foi sede da 7ª Inspetoria, que abrangia os municípios mais próximos, inclusive Areia, Esperança e Boqueirão.
Em 1924, no comando do Coronel Elísio Sobreira, as Inspetorias foram extintas. Era o auge das lutas contra os grupos de cangaceiros, que se estendiam por todo Nordeste, e que na Paraíba se concentravam, basicamente, no Sertão.

2.  Criação do 2º Batalhão

A necessidade de desenvolver ações mais enérgicas contra o cangaço, principalmente na região sertaneja paraibana, levou o governo do Estado, Dr. João Suassuna, a determinar ao Tenente Coronel Elísio Sobreira, comandante da Força Pública, nome da Corporação na época, a adoção de medidas capazes de tornar mais efetiva a presença da polícia naquela região.
Com esse objetivo, foi criado, no dia 20 de fevereiro de 1925, um Batalhão, integrando a Força Policial, que foi denominado de Batalhão de Caçadores e foi instalado na cidade de Patos. Até então, as quatro companhias existentes eram subordinadas diretamente ao comandante Geral, portanto não existia Batalhão.
Com a criação do Batalhão de Patos, as companhias já existentes, foram agrupadas, e tendo por sede a Capital do Estado, passaram a formar outro Batalhão. Dessa forma, as novas Unidades foram denominadas de 1º Batalhão de Caçadores, com sede na Capital e 2º Batalhão de Caçadores com sede na cidade de Patos.
Para instalação do 2º Batalhão, foram concentrados efetivos e meios materiais, no quartel do Comando Geral da Força Pública, na época sediada na Rua Maciel Pinheiro, local onde hoje funciona um mercado de artesanato, na capital do Estado e que por muitos anos sediou o Corpo de Bombeiros.
O primeiro comandante do 2º Batalhão foi o capitão Irineu Rangel de Farias, um valoroso oficial, que em 1924 foi reformado no posto de 1º Tenente, e em janeiro de 1925, foi convocado ao serviço ativo e promovido ao posto de capitão, exclusivamente para exercer essa função.
Depois de organizado, no dia 15 de abril de 1925, o 2º Batalhão partiu da capital, viajando de trem, até a cidade de Patos, onde se instalou em um prédio onde antes funcionava um colégio. Contando com a mão-de-obra dos próprios policiais, e uma permanente orientação e incentivo do Capitão Irineu Rangel, o prédio foi totalmente reformado e adaptado às necessidades do Batalhão.
Primeiro Comandante do 2º Batalhão
Com a instalação do 2º Batalhão, todas as diligências relativas ao combate de grupos de cangaceiros da região passaram a ser comandadas pessoalmente pelo capitão Irineu Rangel, que ganhou notoriedade nessas funções.
Em 1926, o 2º Batalhão teve um importante papel nos combates que a Força Estadual empreendeu contra a Coluna Prestes, evitando que a cidade de Patos principal alvo da Coluna, fosse invadida.
A fixação do efetivo da Corporação era estabelecida anualmente de forma que as despesas com o pagamento de pessoal fosse adaptada ao orçamento do Estado. Dessa forma, a nova organização da Força Pública para o ano de 1927 não previa a existência do 2º Batalhão. Suas companhias instaladas em Patos, Sousa e Cajazeiras, tornaram-se Companhias Regionais e depois receberam outras denominações e mudaram de sede. Essa situação perdurou até 1930.
Em Janeiro de 1931, a corporação, já denominada de Regimento Policial, ganhou nova estrutura, ressurgindo o 2º Batalhão, que deveria ser instalado em Patos, mas como nessa cidade existia uma Companhia Regional, a nova Unidade ficou sediada em Campina Grande.
Essa situação, entretanto, durou poucos meses, pois ainda em 1931 o Batalhão voltou a ter a cidade de Patos como sede, onde permaneceu até dezembro de 1935. Nesse período o Batalhão foi se desdobrando em companhias, cujas sedes variavam entre Sousa, Pombal, Cajazeiras, Itaporanga e Conceição e Campina Grande.

3.  O 2º Batalhão em Campina Grande

Até 1931, Campina Grande era sede de Destacamento e contava com efetivo de aproximadamente trinta homens. Em 1912 a cidade tinha sido sede provisória de uma companhia que foi deslocada da capital para empreender combates contra grupos armados que agiam na área de Monteiro, com fins políticos, uma vez que objetivava a deposição do Presidente do Estado Dr. João Machado.
No início do governo do Dr. Argemiro de Figueiredo, um ilustre Campinense, a cidade passou a sediar a 4ª Companhia de Polícia, subunidade orgânica do 2º Batalhão, que permanecia sediada na cidade de Patos. A instalação da 4ª companhia em Campina Grande deu-se no dia 7 de setembro de 1935 em solenidade que contou com a presença das mais expressivas autoridades locais, e do Comandante Geral da corporação, Tenente Coronel José Maurício da Costa.
A partir de 1936 toda corporação Policial, agora com denominação de Polícia Militar, por força da Constituição Federal de 1934, passou por uma substancial transformação, que atingiu a sua estrutura, com a criação de novos serviços, a legislação se adaptando a uma nova ordem constitucional, o armamento, o uniforme, a instrução, em fim, toda a filosofia de atuação foi modificada.
No bojo desse processo evolutivo, a sede do 2º Batalhão foi transferida de Patos para Campina Grande, em 1º de janeiro de 1936. O Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Delmiro Pereira, Oficial do Exército, designou para comandar o 2º Batalhão, um dos oficiais mais conceituados da corporação, o Tenente Coronel Manoel Viegas.
O Batalhão ficou instalado, provisoriamente, em um prédio onde antes funcionava o colégio Clementino Procópio. Era uma construção em estilo barroco, como tantas outras existentes na cidade naquela época. Em 1938 esse prédio que ocupava um amplo terreno, na Avenida Pedro I, foi adquirido pelo governo do Estado que iniciou sua reforma para adaptação como quartel.
Em 1º de outubro de 1940, por decisão do Tenente Coronel do Exercito, Mário Solon Ribeiro de Morais, Chefe de Polícia e Comandante interino da Polícia Militar, o 2º Batalhão foi transferido para João Pessoa. Era o período da 2ª Guerra Mundial e a argumentação para essa mudança era a necessidade de concentração de tropa na capital do Estado. Quando o Batalhão foi transferido para João Pessoa, permaneceu em Campina Grande a sede da 4ª Companhia, subordinada ao Batalhão, agora com sede na capital. Durante todo período que o Batalhão permaneceu em Campina Grande, foi comandada pelo Tenente Coronel.Manoel Viegas.
Só no dia 18 de maio de 1943, no governo do Dr. Rui Carneiro, o 2º Batalhão voltou para Campina Grande, atendendo proposta do Comandante Geral da Corporação, Coronel. Ivo Borges da Fonseca, voltando a ocupar suas antigas instalações, agora sob o comando do Major Ademar Neziazene.
     Tanto no tempo em que o Batalhão foi sediado em Patos como no período em que teve Campina Grande como sede, sua área de atuação era toda região atualmente policiada pelo 2º e pelo 3º Comando Regional, ou seja, compreendia bem mais de metade do território do Estado. Essa situação foi mudando a media em que eram criadas novas Unidades policiais.
Segundo Comandante do 2º Batalhão
 
Terceiro Comandante do 2º Batalhão

 4.  O Quartel

O Velho casarão de estilo barroco que serviu de sede ao Batalhão e que já havia sofrido reformas em 1936 foi demolido e em 1943 e iniciada a construção do novo e amplo quartel. Composto de quatro pavilhões, observando-se planta traçada pelo arquiteto Derval Medeiros, o novo prédio foi construído sob a direção do prefeito da cidade, Wergniand Wanderley.
Essas novas instalações foram inauguradas no dia 16 de agosto de 1944, data do 4º aniversário da interventoria do Dr. Rui Carneiro, em solenidade que contou com a presença de todo o secretariado do governo do Estado, lideranças políticas, e do povo em geral. O Padre Eurivaldo Caldas, que depois se tornou capelão da Polícia Militar, procedeu às bênçãos ao novo prédio.
Na oportunidade foi realizado um desfile militar, com a participação de um contingente deslocado de João Pessoa e as solenidades foram encerradas com um grande churrasco, como era prática na época, oferecido aos convidados.
No decorrer do tempo esse quartel foi recebendo melhoramentos e ampliações de forma que atualmente atende às necessidades do Batalhão e sua forma arquitetônica diferenciada das construções modernas, constitui um marcante visual na avenida D. Pedro I, uma das principais artérias do Bairro do Quarenta, em Campina Grande.

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