Cuidado ao guardar a sua arma em casa. Cuidado quando precisar usá-la

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  Os profissionais de segurança pública vivenciam no interior de seus lares um tipo diferenciado de preocupação em relação aos demais cidadãos.  Em função de suas atividades esses profissionais necessariamente portam armas de fogo o que enseja a necessidade de cuidados especiais com a condução, uso, manejo, manutenção e guarda desses indispensáveis instrumentos de trabalho.
      Pretendemos enfocar aqui, com o caso curioso que relataremos, um dos muitos cuidados que alguns policiais militares costumam adotar para evitar acidentes com armas de fogo no interior de suas casas, principalmente para evitar que elas fiquem ao alcance de crianças.  
     Saliente-se, entretanto, que mesmo diante das constantes recomendações oriundas dos diversos escalões de comando, e dos treinamentos, infelizmente tem ocorrido verdadeiras tragédias que vitimam pessoas inocentes nessas circunstâncias.   Registre-se, por oportuno, que a omissão desses cuidados constitui crime capitulado no artigo 13 da Lei 10.826, que textualmente estabelece: “Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade:   Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.”
    Vejamos, pois, a curiosidade de um caso real decorrente desses cuidados, embora que, por razões éticas, usemos nome fictício.  
     O Sargento Sivuca tinha um filho de oito anos, traquino, buliçoso e muito esperto. Por essa razão esse miliciano e sua esposa tinham muito cuidado com o revolver que mantinha em casa. Em uma tarde de domingo Sivuca estava na porta da sua casa quando viu dois rapazes passar correndo, vindos da direção da praia, que ficava a cerca de trezentos metros. O faro policial levou Sivuca a desconfiar da cena e ficou observando a direção que eles tomavam.
    Pouco depois ali chegaram duas moças conhecidas do Sargento. Elas estavam de biquíni e apavoradas contando que tinham sido assaltadas na areia de praia, tendo os ladrões levado seus pertences inclusive suas roupas.  De imediato Sivuca associou os fatos e deduziu que os dois rapazes que passaram correndo eram os assaltantes. Incontinente ele entrou em casa, subiu em cadeira e na ponta dos pés pegou o revolver no alto de um armário e saiu correndo na direção dos bandidos.
    Na primeira esquina ele viu que os caras caminhavam devagar e bem descontraídos. Naquele momento foi passando um Soldado a paisana conhecido de Sivuca, que depois de um breve relato, solicitou sua ajuda, no que foi prontamente atendido. O Sargento ligou para o CIOP comunicando o fato e dando ponto de referência. Prometeram deslocar uma Guarnição que estava naquelas proximidades.
      Mas, temendo que os meliantes fugissem, os irrequietos policiais resolveram agir antes da chegada da Guarnição. Disfarçadamente eles se aproximaram da dupla e de arma em punho fizeram a abordagem. Os caras não reagiram. Aplicando o procedimento padrão, os policiais fizeram os meliantes ficarem com as mãos encostadas em um muro e com as pernas abertas sem equilíbrio para uma reação. O Sargento deu cobertura, com a arma apontada, e o Soldado fez a revista na dupla, constatando que eles não portavam armas. O produto do furto foi recolhido. Feito isso o Soldado foi até a esquina para facilitar a localização da Viatura.
        Enquanto aguardava a chegada da Guarnição, Sivuca ficou apontando a arma para os bandidos que estavam de costas para ele. O sargento postado com revolver na mão direita, apoiada pela mão esquerda, com braços estendidos, as pernas afastadas em posição de base, e aparentando total domínio da situação, parecia está fazendo uma demonstração da posição técnica recomendada para um momento como aquele. Nesse momento Sivuca se concentrou no tambor do revolver e percebeu que não tinha munição. A arma começou a pesar. As pernas e os braços começaram a tremer. A respiração ficou ofegante e os lábios secos. Durante os cinco minutos de demora da chegada a Guarnição, Sivuca foi tomado por uma incontrolável onda de pavor. Com muito esforço ele conseguiu disfarçar esses sentimentos depois da chegada dos companheiros. Mas ainda estava ofegante.
     Prisão efetuada. Bandidos conduzidos.
     Sivuca, ainda assustado, voltou para casa e encontrou a sua esposa na porta com seis cartuchos de trinta e oito na mão explicando, “eu esqueci de ti avisar que tinha tirado as balas do revolver e escondido para  Juninho não achar”.
    O velho Sargento balançou a cabeça em um gesto de aprovação, mas até hoje a cena do tambor vazio, e do pavor daqueles infindáveis minutos, não lhe saíram da sua memória.

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