Cabo Zé Rodrigues, o estafeta

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Cabo José Rodrigues da Silva
 O estafeta é a pessoa encarregada de entregar as correspondências internas dentro de uma instituição. É uma das muitas atividades funcionais que foram extintas ou tiveram sua importância reduzida com o advento dos processos de informática. A transmissão de correspondência entre as instituições ficou reduzida a um simples toque nos teclados dos computadores.
      Na PM da Paraíba a figura do estafeta era muito valorizada. Era ele que fazia a entrega dos Boletins do Comando Geral e outros documentos oficiais para os Batalhões e ao mesmo tempo conduzia idênticos documentos dos Batalhões para o Comando Geral. Nas Companhias isoladas os estafetas faziam esse mesmo trabalho ligando suas Subunidades aos respectivos Batalhões.
   Cada Batalhão tinha um estafeta, que em razão dessas atividades tinham passes livres nos ônibus interurbanos. Normalmente eles vinham das suas Unidades para o Comando Geral três dias por semana. Além de fazer a entrega desses documentos, os estafetas também resolviam problemas dos Batalhões junto a outros órgãos públicos como nas Secretarias de Administração e de Finanças. Tinha momentos em que a chegada do estafeta no Batalhão era aguardada com muita expectativa, principalmente em épocas de comentários sobre aumentos.  No interior todo mundo queria saber o que se comentava sobre esse tema na capital. Notícias sobre promoções, que eram registradas nos boletins, também eram muito aguardadas.   Até notícias sobre chuvas no interior os estafetas traziam para a capital.
          Mas a atividade que ocupava mais tempo dos estafetas era resolver problemas de policiais militares no IPEP (atual PBPreve), CEHAP, Bancos e outros setores  públicos ou privados.  Até pequenas compras ou entregas de objetos ou correspondência a familiares eram efetuados por eles.
     Como decorrências dessas atividades os estafetas acabavam aprendendo a forma de encaminhamento dos mais diversos procedimentos administrativos nas áreas em que atuavam. Como se diz no jargão interno, eles eram muito desenrolados e sempre conseguiam um jeitinho para resolver os problemas.  Com isso os estafetas eram figuras muito conhecidas e queridas em todos os setores da sua atuação.
      Convivi com muitos estafetas, de todos os batalhões, no decorrer das décadas de 1970 a 2000, e posso testemunhar que todos prestavam uma importante contribuição para o andamento das atividades de Polícia Militar.  Mas, entre eles, um teve especial destaque, pelo tempo em que exerceu essas funções e pela forma como se relacionava com as pessoas, tanto no âmbito da corporação como no meio externo. Refiro-me ao Cabo José Rodrigues da Silva, que foi por quase de vinte anos estafeta do 2º Batalhão.
     Zé Rodrigues, como era mais conhecido, nasceu em Princesa Isabel, em 6 de junho 1935 e ingressou na PM em 18 de setembro de 1957. Inicialmente ele prestou serviço nos Destacamentos Policiais na área do Sertão. Em 1964 ele passou a trabalhar como cozinheiro do 2º Batalhão, e pouco depois passou a desenvolver atividades burocráticas na mesma Unidade policial.  Em 7 de agosto de 1969 Zé Rodrigues contraiu matrimônio com Dona Alzira Leite da Silva e deu início a construção de uma sólida família.  Em 1974 ele foi designado para as funções de estafeta do 2º Batalhão. Promovido a Cabo por tempo de serviço, em 6 de junho de 1986, ele continuou no trabalho de estafeta.
   Depois de 28 anos ininterruptos de serviços, e contando com o tempo de licença especial não gozada, Zé Rodrigues passou para a reserva remunerada, com os proventos de 3º Sargento em 22 de agosto de 1986. Até então Zé Rodrigues já contava com 12 anos de serviços como estafeta.  Mesmo na reserva ele continuo nessa atividade por mais uns oito anos, mediante uma gratificação, o que configura o grau de confiança que ele gozava junto ao Comando do Batalhão.  
     Mesmo na reserva Zé Rodrigues foi agraciado com a medalha de 30 anos de serviço, em 1º de novembro de 1986. Ainda de forma justa ele foi também agraciado com a mais alta condecoração da Polícia Militar, a medalha Elísio Sobreira, em 8 de fevereiro de 2006,  o que também expressa o seu prestígio perante o Comando Geral da Corporação.
   Calmo, disciplinado, cortês, muito compenetrado nos seus afazeres, conversador, e tido como um homem valente, Zé Rodrigues fez amizade em todos os setores da Corporação e em todos os níveis hierárquicos. Muito conhecido e carinhosamente tratado nas Secretarias de Estado onde transitava no exercício de suas atribuições, ele sempre representou bem a Polícia Militar.
    Em meio ao carinho da família, Zé Rodrigues faleceu  no dia 22 de agosto de 2012, deixando muitas saudades em todos que tiveram oportunidades de com ele conviver. Foi um exemplo de policial militar.

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