Orgulho pela Corporação: Sentimento que se transmite

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       Na rotina da caserna vivenciamos situações que parecem momentos banais, mas que tempos depois percebemos o quanto foram importantes, para nós ou para terceiros. Vivenciei alguns momentos dessa natureza. Aqui quero registrar um deles.
        Em 1992, no posto de Major, eu ministrava aulas de História da PM da Paraíba para alunos do CFO e para o CSFd Feminino.  Para tornar mais atrativas essas atividades eu fazia caminhadas com as Turmas em meio ao matagal então existente nas redondezas do Centro de Ensino e onde atualmente está edificada uma extensa área residencial.  Em determinados pontos, o Alunos, que estavam com o uniforme de Educação física, se sentavam no chão, em baixo de frondosas árvores, e ali comentávamos os tópicas dos temas das aulas.
      Outras vezes íamos, no Ônibus do CE, para a Ponta do Cabo Branco, e lá fazíamos a mesma coisa, caminhado à beira mar. Creio que muitos Alunos que passaram por essa experiência devem se lembrar desses fatos. Uma Turma de Oficiais Médicos também passou por esse processo quando fui instrutor de Legislação da PM.  De quando em quando alguém dessas Turmas se encontra comigo e relata fatos, quase sempre engraçados, ocorridos naquelas atividades.
    Ainda como parte dessas dinâmicas de aulas, no mês de junho de 1992, convidei quatro Oficiais Reformados para conversar com as turmas de Alunos sobre as suas experiências na Corporação.
       Os convidados foram: Coronel Ademar Naziazzene, o primeiro Aspirante a Oficial da Paraíba (em 1929) e autor de um livro sobre a História da Polícia Militar; o Coronel João Gadelha de Oliveira, Aluno e orador da Turma do CAO de 1939, e Comandante Geral de PM em 1964 até poucos dias antes de Revolução; O Coronel Raimundo Cordeiro de Morais (pai do Coronel Ramilton Cordeiro), Aluno da Turma do CFO de 1954, e o Capitão Gonçalo Ferreira Lopes, um vibrante Oficial do Quadro da Administração e conhecedor de muitos fatos importantes do seu tempo de serviço ativo. Todos estavam de terno, com a melhor apresentação possível e se postaram com humildade, mas de acordo com a importância dos seus postos perante os Alunos. Ficaram na posição de sentido rigorosa para o Coronel Naziazzene receber a apresentação da Turma.
       A forma como falaram sobre os seus tempos de Polícia, e a maneira carinhosa como se reportaram aos seus contemporâneos expressaram sentimentos éticos, companheirismo e muito orgulho de terem integrado os quadros da Corporação. Foi impressionante a desenvoltura e lucidez deles ao falar sobre cada tema invocado pelos alunos.
     Foi uma manhã inteira de conversa, realizada no Auditório do Centro de Ensino, com os Oficiais passando pelos quatro grupos de Alunos formados para efeito de elaboração de um trabalho escolar.
        Naquela época estavam em formação duas Turmas de Soldados Femininos com cerca de oitenta alunas no total.  Colocamos essas Turmas em forma e cada um dos Oficiais lhes dirigiu a palavra, ocasião em que foram transmitidas mensagens de incentivos para vencer as dificuldades da vida militar, e recomendações para que conservassem o bom nome da Corporação.
        Para mim e para os Alunos foi uma manhã de aprendizagem sobre alguns momentos da história da Corporação. Mas, sobretudo foi uma lição de vida.
        Dias depois recebi um bilhete do Coronel Naziazzene que me fez perceber a importância que aqueles momentos tiveram para ele, o que  também passou a ser  importante para mim.
       Ainda guardo, com carinho, esse bilhete, que a seguir publico.

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1 Comentário em "Orgulho pela Corporação: Sentimento que se transmite"

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Ugo Bezerra
Visitante
Mais uma vez, meus parabéns! Isso me lembra o filme sobre a vida do Gen. MacArthur, estrelado por Gregory Peck, onde o mesmo discursa para uma turma de jovens cadetes em West Point. Esse exemplo seu, além de motivacional é muito importante para se estabelecer vínculos com a Corporação e laços de amizade, camaradagem, companheirismo e orgulho entre os policiais militares. Aqui no Brasil, quem foi um forte incentivador dessa prática foi um paraibano, Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que idealizou a AMAN e concebeu Brasília, também. Abraços, e que o senhor continue sendo por muitos anos esse elo… Leia Mais »