O Patrono da Polícia Militar da Paraíba

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  Elísio Augusto de Araújo Sobreira nasceu no dia 20 de agosto de 1878, na cidade de Esperança, sendo filho de Justino Augusto de Araújo e Maria Augusta de Araújo Sobreira. Com pendor artístico, o jovem Elísio dedicou-se às atividades musicais, exercendo a função de maestro de orquestras em Campina Grande, onde angariou projeção social e prestígio político. Em 1907, portanto já com 29 anos de idade, Elísio Sobreira foi incluído na Polícia Militar, na época com a denominação de Batalhão de Segurança, no posto de Alferes, o que revela suas qualidades pessoais e projeção social e política, visto que naquela época, serem esses os critérios adotados para o ingresso na Corporação, nesse posto. Como Alferes, posto equivalente ao de 2º Tenente atualmente, Elísio Sobreira participou dos combates que da  Polícia  Militar  empreendeu contra  os  grupos  de  cangaceiros liderados por Augusto Santa Cruz e Franklin Dantas, que em 1912 na região de Monteiro, Taperoá,  Teixeira e  Patos, cujos objetivos era  a  criação  de um clima de insegurança que justificasse uma intervenção Federal na Paraíba. Nesses combates, pela forma corajosa como se houve, o Alferes Elísio Sobreira obteve referências elogiosas dos seus Comandantes. Ainda nesse posto, exerceu as funções de Delegado de Polícia em diversas cidades do interior do Estado, inclusive em Alagôa Grande e Pombal. Em 1920, no posto de Capitão, Elísio Sobreira passou a ocupar as funções de Assistente do Governador Solon de Lucena, ocasião em que, graças a sua marcante personalidade, despertou a confiança e  respeito da alta cúpula do Governo. Em 1924, ainda como Assistente Militar, Elísio Sobreira foi designado para diligências volantes no sertão paraibano, particular­mente na região de Sousa, onde se deram confrontos entre grupos de cangaceiros sobre a liderança de Chico Pereira e Patrulhas Volantes da Polícia Militar. Nessas lutas, a coragem física e o senso de justiça do Capitão Elísio Sobreira, garantiram o êxito das ações da tropa estadual, sendo tal fato reconhecido pela população sertaneja, através dos seus representantes políticos. Ainda nesse ano, o Capitão Elísio foi promovido a Major e Comissionado no Posto de Tenente Coronel, e foi designado pelo Governador Solon de Lucena, Comandante Geral da Polícia Militar, função que permaneceu no Governo seguinte, o do Dr. João Suass
   
Como Comandante Geral, o Tenente Coronel Elísio, profundo conhecedor das necessidades de uma maior efetivação da presença da Polícia Militar no sertão paraibano, propôs e foi aceito pelo Governador, a criação de uma Unidade Operacional na cidade de Patos, de onde partiram as forças destinadas a combater o famigerado banditismo na região. Nessa época, o Tenente Coronel Elísio exerceu, cumulativamente, as funções de Comandante do 1º Batalhão. Em 1926, quando a Coluna Prestes, em sua peregrinação pelo Brasil, percorreu o território paraibano, a Força Pública Estadual, sob o Comando do Tenente Coronel Elísio, teve oportunidade de mostrar mais uma vez o seu valor. Dirigindo pessoalmente as tropas do alto sertão, o Tenente Coronel Elísio pôs em prática seu talento para comandar.  Depois de diversos combates, com mortes  de  ambos os lados, a Coluna Prestes retirou-se da Paraíba, deixando um rastro  de  sangue,  e  amargando alguns  reveses.  Quando se encontrava em Cajazeiras, comandando as ações contra a Coluna Prestes, o Tenente Coronel Elísio recebeu o comunicado que foi escolhido por lideranças políticas de Alagôa Grande, como seu Chefe Político. Em 1928, o Tenente Coronel Elísio foi designado pelo Presidente João Pessoa, para a função de Assistente Militar, função que exerceu até 1930, quando voltou a comandar a Polícia Militar, que havia iniciado os combates contra os amotinados de Princesa, que sob o Comando do Deputado  Estadual José  Pereira,  e  com  o  apoio  do Presidente da República, pretendiam promover a intervenção Federal na Paraíba. Mais uma vez o equilíbrio, a coragem pessoal, a  capacidade  de liderança,  a  lealdade,  e a inata aptidão para a luta, consagraram o Tenente Coronel Elísio, que, inspirado pelo entusiasmo  e espírito  cívico  do Presidente João  Pessoa,  dirigiu  com  acerto os destinos da Polícia Militar durante esse episódio, que  se  constitui  na  mais  brilhante pagina da história da Corporação.
 
Findos os combates de Princesa, teve início a  Revolução de Outubro, que depôs Washington Luís,  e  instituiu  a  Nova  República, dirigida por Getúlio Vargas. Nesse movimento, de nível nacional e que no Nordeste teve início na Paraíba, a Força Pública Estadual, integrada à Tropas Federais, deu mais uma prova de seu valor. Dadas às peculiaridades do movimento, o Tenente Coronel Elísio foi comissionado Coronel Revolucionário e assumiu o comando de um Grupo de Batalhão de Caçadores, integrado por Tropas Federais e Estaduais, e que teve destacada  atuação  em Pernambuco, Alagoas e Bahia. Era o velho herói da briosa Corporação Paraibana, prestando serviços a uma causa nacional. Serenados os ânimos do movimento revolucionário, o Tenente Coronel Elísio, posto a que retornou após a Revolução, voltou às  funções  de Assistente Militar, desta feita do Interventor Antenor Navarro. Por nomeação do Governador Argemiro de Figueiredo, em 1935, nosso herói torna-se Interventor de Alagôa Grande, onde exercia a chefia política desde 1922   Em 1938, Elísio Sobreira, foi reformado no Posto de Tenente Coronel e dois anos  depois,  foi convocado para o serviço ativo, e promovido a Coronel (até então na PM só existia até o Posto de Tenente Coronel,  sendo  o primeiro da Corporação a ocupar esse Posto, e designado pelo Interven­tor  do Estado,  para  mais uma vez Comandar a Polícia Militar. Nesse mesmo ano, deixou  o  Comando  da  PM  para  exercer  as  funções  de Assistente  Militar,  e posteriormente foi nomeado Prefeito de Pombal. No dia 13 de maio de 1942, em João Pessoa, faleceu nosso herói, aos 64 anos de idade, dos quais 35 dedicados à Polícia Militar.
 
Reconhecendo todos  os  méritos de que o Coronel Elísio Sobreira foi possuidor, o Governador Flávio Ribeiro assinou  o  Decreto  nº  1.238, datado de 10 de outubro de 1957, escolhendo o nome desse herói, como o Patrono da Polícia Militar da Paraíba. Flávio Ribeiro conheceu Elísio em 1924, quando era Vice-governador de Solon de Lucena, e Elísio era o Comandante da Polícia Militar, portanto conheceu toda a sua heroica trajetória. Por força do Decreto Nº 15.489, de 9 de agosto de 1993,  assinado pelo Governador do Estado, Ronaldo da Cunha Lima, e apresenta­do pelo Comandante Geral da PMPB, Coronel PM João Batista de Sousa Lira, a Polícia  Militar  da  Paraíba  comemora,  no  dia  20 de agosto, o Dia consagrado ao seu Patrono - Coronel Elísio Sobreira. Ainda no dia 9 de agosto de 1993, pelo Decreto 15.503, foi criada a Medalha Elísio Sobreira, que se destina a homenagear pessoas que tenham prestado elevadas serviços à Polícia Militar,  

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Antonio Sobreira
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Embora seja meu avô. O fato de ser chamado de revolucionário é um exagero. Ele seria um golpista. Seguia as ordens de João Pessoa, quando ocorre a Ditadura Vargas, ele como militar devia seguir as ordens do Estado Novo. Revolucionários de fato seria a coluna Prestes que rompeu com o tenentismo, Vargas e saíram pelo Brasil profundo e um dos braços da coluna Prestes foi combatido pelo meu avô. Outro fato não explicitado no texto acima é os jagunços que lutaram por Princesa fora duramente punidos, não foi uma mera rendição, mas um tribunal sem juízes. Uma revolução verdadeira é… Leia Mais »