O Major Manuel Viegas e o Comando do 2º Batalhão

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Major Manuel Viegas
        Nascido em 28 de maio de 1890, Manuel Viegas assentou praça na Força Pública da Paraíba, que era a denominação da Polícia Militar na época, em 16 de setembro de 1908, portanto ainda jovem, com 18 anos. Seu ingresso ocorreu como Sargento o que se deu por indicação do Comandante, que era o critério adotado na Corporação naquele tempo. Essa indicação também indica que ele tinha boa estatura física, regular escolaridade e pertencia a uma boa família que eram as qualidades observadas  para a escolha.
      Até 1912 o ingresso e promoção dos Oficiais na corporação se davam exclusivamente por indicação do Presidente do Estado, que era a denominação dos Governadores.  Naquele ano houve uma profunda mudança na legislação da Força Pública, onde até então vigiam as leis do tempo do Império. Essas mudanças foram introduzidas no Comando de Mário Barbedo, um jovem Tenente do Exército que foi comissionado no Posto de Coronel e nessa condição comandou a Força Pública no período de 2 de janeiro de 1912 a 2 de outubro de 1914. A partir de então o ingresso no oficialato, que se dava no posto de Alferes, passou a ser exclusivo dos Sargentos que fossem aprovados em uma seleção. O Sargento Manuel Viegas foi o primeiro graduado a chegar ao posto de Alferes por esse critério, em 23 de dezembro de 1912. O quadro de Oficiais era formado por Alferes, Tenente, Capitão e Major. O Posto de Tenente Coronel era Comissionado e exclusivo do Comandante e não havia distinção de 2º e 1º Tenente.
    O posto de Alferes foi extinto em 1916 e em seu lugar foi criado o Posto de Segundo Tenente. No dia 9 de novembro daquele ano, Manuel Viegas foi promovido a Primeiro Tenente. Nesses postos Manuel Viegas foi Delegado de Polícia em diversas cidades do interior do Estado. Só nove anos depois, no dia 16 de junho de 1925, ele foi promovido a Capitão por antiguidade. Nesse Posto Manuel Viegas participou das lutas contra a Coluna Prestes que em 1926 passou pela Paraíba espalhando pânico na população sertaneja.  Nessas lutas ele comandou um efetivo de 600 homens que perseguiu a coluna no percurso de Souza até Princesa Isabel. Em 1930 o Capitão Manuel Viegas também teve importante participação nas lutas contras os grupos armados liderados pelo Deputado José Pereira, fatos ocorridos na região de Princesa Isabel. Naquela ocasião Manuel Viegas comandou um efetivo do Batalhão Provisório, que foi formado só para participar dessas lutas e atuou na região de Piancó, Manaíra e Santana dos Garrotes, cercando Princesa pelos lados norte e oeste. 
    Em 23 de julho de 1931 Manuel Viegas foi promovido por merecimento ao Posto de Major e assumiu o Comando do Primeiro Batalhão, sediado na Capital do Estado, já com a denominação de João Pessoa.
   No início de 1936 o Major Manuel Viegas era o segundo Oficial mais antigo da Corporação e gozava de muito prestígio político. Nessa condição, no dia 1º de setembro de 1936 ele assumiu o Comando do 2º Batalhão, que já estava instalado em Campina Grande, substituindo o Major Antônio Salgado. O então Governador do Estado era Argemiro de Figueiredo que tinha especial atenção por Campina Grande e em consequência com o 2º Batalhão. Assim é possível que a escolha de Viegas tenha sido do próprio Governador.  O Comando de Viegas se prorrogou até 29 de agosto de 1940, portando teve a duração de quatro anos. Nesse período o Major Viegas construiu uma vasta amizade entre os Oficiais e praças e com a sociedade campinense, o que lhe tornou um homem muito querido na cidade.
    Durante a segunda guerra mundial os Governadores de todos os Estados tinham a preocupação de reforçar o efetivo das forças estaduais nas capitais. Na Paraíba foram adotadas diversas providências nesse sentido, mas a de maior impacto foi a transferência da sede do 2º Batalhão para João Pessoa. Esse fato se deu no dia 29 de agosto de 1940, quando o Major Manuel Viegas foi exonerado do Comando do Batalhão e transferido para a reserva.  
      A essa altura Viegas tinha 50 anos de idade e 32 anos de serviço. Não era comum, naquela época, o Oficial passar para a reserva nessas condições. Era comum o Oficial ficar no serviço ativo até os 55 anos ou 35 de serviço.   É possível que a passagem de do Major Viegas para a reserva tenha tido conotação política, uma vez que naquele ano Argemiro de Figueiredo, que era de Campina Grande e tinha passado mais de cinco anos no Governo, sendo três deles como interventor, estava passando o poder para Rui Carneiro que pertencia a outra linha política.
     A solenidade de despedida do Major Viegas do serviço ativo da corporação e a saída do Batalhão para a capital foi muito comovente e deixou os Oficiais e Praças entristecidos e a sociedade campinense revoltada.  O Batalhão só voltou para Campina Grande em fevereiro de 1943

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