Nelson Gonçalves no Quarto Batalhão


     O Coronel Jacinto da Costa Serpa, (PM/PB) que comandou Batalhões e foi Subcomandante Geral, foi o maior fã de Nelson Gonçalves que eu conheci. Era comum vê-lo nos corredores do Quartel do Comando Geral cantarolando, de forma discreta, canções do seu ídolo. E, diga-se de passagem, ele tinha um timbre de voz que lembrava o de Nelson.

    No final de 1984 Serpa, no posto de Tenente Coronel, comandava o Quarto Batalhão, sediado em Guarabira. Naquela época, quase toda Sexta-feira, depois do almoço, ele reunia alguns Oficiais daquela Unidade e levava-os para o reservado de um Bar localizado perto do Quartel onde passavam a tarde ouvindo músicas de Nelson. Eram cerca de dez discos que ele levava e trazia com todo carinho. Na verdade ele tinha ciúmes desse material. Serpa quase não bebia, o que não era o caso dos que lhe acompanhavam. Sempre cantarolando, às vezes a pleno pulmão, Serpa fazia uma espécie de dublagem de Nelson, no que era seguido por alguns companheiros afoitos com os efeitos etílicos, e eufóricos com o desempenho do chefe.

     No começo de 1985, em uma quinta-feira, Nelson Gonçalves fez um show na Churrascaria Vale Verde, localizada nas proximidades de Guarabira.  Ao tomar conhecimento desse fato, Serpa não perdeu tempo: mandou o Tenente Itamar Gomes ir ao local do show e convidar Nelson Gonçalves para dormir no Quartel. E assim foi feito. Eram quase duas horas da manhã quando Nelson chegou ao Quartel, conduzido em um Galaxy, dirigido por seu motorista particular.

   Foi uma festa para Serpa.  Conduzido ao Gabinete do Comando, Nelson teve uma longa conversa com Serpa e alguns Oficiais laranjeiras. De vez em quando Nelson dava uma palhinha e Serpa lhe acompanhava.

   Instalado no alojamento do Comandante, juntamente com Serpa, o grande astro da música brasileira teve dificuldades para dormir com a infindável conversa e tietagem de Serpa.

   Depois do café da manhã, servido no cassino do Oficias, Nelson cumprimentou a todos, inclusive os cassineiros e outras praças que ele foi encontrando pelos corredores, até o seu embarque no Galaxy.

      Na porta do carro, cercado por muitos fás,  ele deu um forte abraço em Serpa, agradecendo a acolhida, acenou para todos os presentes e foi embora.

    O boêmio não mais voltou, mas Serpa nunca esqueceu esses momentos vividos junto ao seu ídolo e ficou repetindo para os amigos mais íntimos as inúmeras histórias que ele ouviu de Nelson naquele dia.

                                        O Galaky de Nelson também foi atração no Quartel

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