Manifestações populares ontem e hoje: Baionetas caladas em manifestações estudantis na Paraíba

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   As intervenções das Unidades Especiais de todas as Polícias Militares do Brasil, nas
manifestações populares que vem ocorrendo em todo o país, evidenciaram a importância
dos meios materiais por elas utilizados, mesmo diante das muitas críticas surgidas, decorrentes
de eventuais excessos cometidos.   São armas com balas de borracha, bombas de efeito moral,
granadas de gás lacrimogênio, spray de pimenta, pistolas taser, escudos, coletes, capacetes
especiais, caneleiras, ombreiras, apoio de unidades médicas, câmeras de monitoramento e
modernos meios de comunicação. Além de contar com esses meios os integrantes dessas unidades
de serviços especiais passam por rigorosa seleção, intensos treinamentos e preparação psicológica.
Esse conjunto de fatores tem tornado essas ações mais eficazes e evitado consequência mais graves.
      Mas, em tempos idos, a realidade era bastante diferente. A aquisição e emprego desses meios,
em qualidade e qualidade compatíveis com a necessidade, em todas as corporações, se deram
de forma gradual ao longo das últimas décadas.
       Na Paraíba, os escudos utilizados nessas ações, inicialmente de alumínio, começaram a ser utilizados a partir do início da década de 1970 e os demais equipamentos e armas de baixa letalidade, nas décadas seguintes. Acontece que no decorrer de toda década de 1960 ocorreram muitas manifestações estudantis, com reivindicações de caráter político, em todo o país, e as Polícias Militares foram empregadas para conter tais movimentos.
     Como na Paraíba, naquela época, não havia grupo policial especializado para esse tipo de ações, eram utilizados recrutas retirados das salas de aula e às pressas levados para os locais dessas atividades. Portanto, não havia nenhuma preparação técnica. E o pior, não havia material apropriado para esse fim.
     Assim, as tropas empregadas para conter manifestações estudantis em João Pessoa, até 1969, além do despreparo técnico e da imaturidade do seu pessoal, utilizavam fuzis, com baionetas caladas que é um recurso adotado em combate de infantaria na iminência de luta corporal. A baioneta é um instrumento perfurante de cerca de vinte centímetros, afixado no cano do fuzil, o que permite o uso da arma também como uma espécie de lança.  Diante desse quadro, era de se esperar que uma tragédia de grandes proporções pudesse ocorrer a qualquer momento, o que constituía um tormento para os dirigentes da Corporação. Mas, com o passar do tempo essa situação ficou tão rotineira que os jovens estudantes já nem se assustavam com a presença dessas tropas.
     Em 1969 foi criado um Batalhão Especial na Paraíba e em muitos outros Estados, no qual se previa a existência de uma Companhia destinada ao emprego do que era denominado de distúrbios civis. A partir de então alguns Oficiais da Paraíba foram encaminhados para fazer cursos especiais e começaram a treinar o efetivo empregado nessas situações. Paralelamente foram adquiridos escudos e cassetetes diferenciados para emprego nessas ações. Os demais equipamentos e armas foram sendo adquiridos de forma gradual. As bombas, granadas e spray de pimenta, considerados pelo Exército como material de guerra química, assim como os equipamentos de comunicações, curiosamente eram objetos de um controle especial pela IGPM. Como esse material era importado, o que dificultava os processos de licitação, e muito caro para os padrões orçamentários da Polícia Militar, os treinamentos práticos eram muito raros.
      Mas atualmente a PM da Paraíba possui todos os recursos modernos para o emprego de tropa em situações dessa natureza, além de ter um pessoal altamente capacitado para esse fim. Mas o ideal é nunca precisar fazer uso deles.

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1 Comentário em "Manifestações populares ontem e hoje: Baionetas caladas em manifestações estudantis na Paraíba"

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Ugo Bezerra
Visitante
Interessante e ao mesmo tempo impressionante. Penso, porém, que o uso da baioneta tinha caráter meramente psicológico e intimidatório, assim como descrito na “Força moral da Farda na resolução de conflitos”. Na hora do confronto usava-se a coronha da arma. Remete-me à lembrança as manifestações londrinas, nas quais os manifestantes são arrastados por policiais com o mínimo emprego de armas não letais. Sendo assim, fica a comprovação de que mais investimentos em educação implica em menos violência de ambas as partes nos confrontos. Os manifestantes têm que ter a consciência que não se pode depredar o patrimônio público e que… Leia Mais »