Homenagem aos Soldados mortos nas lutas de Princesa

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Túmulo simbólico dos Soldados mortos em Princesa em 1930  Cemitério da Boa Sentença - João Pessoa
       No mês de julho de 1931 o Governo da Paraíba promoveu uma série de eventos destinados a marcar a passagem do primeiro ano da morte do Presidente João Pessoa Cavalcanti. Para esse fim foram mobilizadas diversas entidades representativas de classe, tais como operários, comerciários, funcionários, empresários, estudantes, professores, jovens, mulheres e militares entre outras.
     A programação foi desenvolvida na capital do Estado entre os dias 19 e 26 de julho e os representantes de cada classe ficaram responsáveis pela organização dos atos realizados durante cada um desses dias.
    A entidade representativa das Mulheres Paraibanas, que tinha sido criada poucos meses antes  mas que tinha muito prestígio político em razão de ser  integrada por mulheres da alta sociedade local, ficou encarregada dos eventos do dia 22. Naquele dia choveu muito na cidade o que fez com que parte da programação fosse adiada.
      Dessa forma, naquela data, só foram realizados os atos destinados a homenagear os Soldados mortos em Princesa em 1930, nas lutas da Polícia Militar com os grupos armados liderados pelo Deputado José Pereira que naquele ano tinha se rebelado contra o Governo Estadual. Portanto, essa era também uma forma de reverenciar o Presidente João Pessoa, personagem central naqueles acontecimentos.
        Essas homenagens se constituíram em uma missa realizada na Igreja da Conceição, que foi celebrada pelo Monsenhor José Paulino e em seguida foi realizado o ato de descerramento da placa do túmulo simbólico dos Heroicos Soldados mortos em Princesa, em 1930, construído no Cemitério Boa Sentença.
     A esse ato compareceram altas autoridades do Governo e um grande número de pessoas, entre as quais muitas viúvas e órfãos dos Soldados homenageados, além de muitas mulheres integrantes da entidade organizadora do evento.  A bênção do monumento foi feita por Dom Adauto, Arcebispo Metropolitano. O Doutor Leonardo Arcoverde, Secretário da Agricultura, representou o Governo do Estado. O General Sotero de Menezes, Comandante de 7ª Região Militar, sediada em Recife, esteve presente, e juntamente com o representante do Governo, descerrou a placa fixada ao túmulo.  Vivíamos a época da Ditadura de Getúlio Vargas e os Generais tinham o mais elevado status, social e político.  A presença do General Sotero, vindo de Recife só para esse evento, expressa a importância que foi dada a esse acontecimento. Na ocasião foram proferidos discursos enaltecendo a importância do ato e externando reconhecimento dos atos de heroísmo praticados pelos homenageados e a eterna gratidão da sociedade Paraibana.
      Esse monumento, que foi erguido pelo Governo do Estado na parte mais central do Cemitério é formado por uma base de alvenaria sextavada, com nove metros de perímetro e um metro de altura, e outra a ela sobreposta com o mesmo formato e altura, mas com seis metros de perímetro, sobre o qual está fixada uma cruz, também em alvenaria, com quatro metros de altura.  Dessa forma, é uma construção de seis metros de altura, o que lhe torna destacada entre os demais túmulos das suas proximidades. Sendo bem cuidada é uma construção imponente, e a altura da sua destinação.
     Na placa em mármore, atualmente quase ilegível, por total falta de manutenção, está escrito em baixo relevo o seguinte.
 
HOMENAGEM DA MVLHER PARAIBANA
   AOS HEROICOS SOLDADOS MORTOS
                 PRINCEZA
                  26/VII/931
      A palavra mulher está escrita assim mesmo,  com “V”.  A data da placa é 26 de julho, dia da morte de João Pessoa, mas o ato de sua inauguração foi no dia 22 do mesmo mês, conforme já mencionado.
      Esse monumento é um túmulo símbolo porque os policiais militares que morreram naquelas lutas eram sepultados por lá mesmo, uma vez que não havia meios de translado dos corpos.
      E foram muitos os mortos. Só em uma emboscada praticada pelos cangaceiros, ocorrida no dia 2 de junho de 1930, nas proximidades da cidade de Água Branca, morreram aproximadamente duzentos Soldados e dois Oficiais comissionados. Era um grupo formado por Soldados do Batalhão Provisório, transportado em doze caminhões que tinha saído da Capital e seguia para a cidade de Tavares se juntar à tropa Comandada pelo Capitão João Costa, que estava pronta para invadir Princesa, aguardando apenas ordem do Presidente João Pessoa. 
    Portanto esse local é muito importante para a Polícia Militar. Porém está totalmente abandonado, e sendo utilizado por pessoas desavisadas como local para prática de despachos de macumba. O custo para a sua total recuperação é em torno de R$ 1.500,00. Mas a Polícia Militar pode fazer isso com mão de obra própria, pois só precisa de pedreiro e pintor.
    Porém, muito mais importante do que o aspecto material dessa questão é a necessidade de preservação de valores históricos, elemento indispensável na formação de um sentimento corporativo e da sensação de pertencimento por parte dos integrantes da corporação, fatores de elevada importância para a criação de um elo afetivo entre os policiais militares e a instituição, condições imperiosas para o desenvolvimento da Polícia Militar.
      Portanto, nada mais justo do que, regulamente, ao menos na programação do aniversário da Corporação, a realização de uma solenidade ecumênica nessa local, e a difusão do seu sentido.
      É possível que o atual Comandante da Corporação não tenha conhecimento dessa situação e por isso esperamos que em breve ele possa adotar medidas cabíveis para restaurar, materialmente e espiritualmente, esse tão importante patrimônio histórico.
        A impressa Oficial registrou esses acontecimentos na forma dos recortes do Jornal A União que a seguir transcrevemos

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2 Comentários em "Homenagem aos Soldados mortos nas lutas de Princesa"

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Ugo Bezerra
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” O que faz que os homens formem um povo é a lembrança das grandes coisas que fizeram juntos e a vontade de realizar outras. ” Ernest Renan

coronel batista
Visitante

Realmente amigo Ugo. Foram as obras de Homero (Odisseia e Guerra de Troia) que fizeram a Grécia gloriosa.