Exército e Polícia em via de conflito em Catolé do Rocha

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Em 1961 estava em construção a Rodovia que liga Catolé do Rocha, na Paraíba, a Caicó, no Rio Grande do Norte. Essa obra foi executada pelo Grupamento de Engenharia de Construção, através de um Batalhão sediado em Caicó.   Para realizar esse trabalho uma Companhia do Exército ficou sediada em Catolé do Rocha. Nas horas de folga os integrantes dessa Companhia se divertiam nessa cidade, onde o Delegado era o então 1º Sargento Cícero Ludugério. A relação entre o pessoal da Polícia e os integrantes dessa Companhia era de muita harmonia.
Na manhã de certo dia dois Soldados da Polícia Militar estavam em ronda, a pé, pela cidade, quando passaram por um bar onde um Segundo Sargento do Exército estava bebendo. Os Soldados cumprimentaram com continência esse graduado e foram saindo quando o Sargento passou a tratar-los de forma humilhante, querendo que eles executassem comandos de maneabilidade, como apoio de frente e outros tipos de atos inteiramente impróprios para a situação. Esse fato deu origem a um desentendimento e o Sargento tentou agredir fisicamente um dos Soldados, que era conhecido por Jaime Pezão, que prontamente reagiu.  Como o Sargento estava muito embriagado acabou sofrendo várias lesões corporais.
 De imediato o Sargento, ainda ensangüentado, se deslocou para a Companhia do Exército onde, se aproveitando que não tinha nenhum Oficial presente naquele Quartel, reuniu e armou alguns Soldados que ali se achavam e se dirigiu ao Destacamento da Polícia com o objetivo de prender o Soldado Jaime. O Destacamento era formado por cinco Soldados que se armaram de fuzil e se entrincheiraram para impedir a prisão de Jaime Pezão. Informado dessa situação, o Sargento Ludugério chegou ao Destacamento, e falou com o Sargento do Exército que comandava a Patrulha para prender o Soldado e disse que era o Delegado da cidade e se tivesse que alguém ser preso era ele quem prendia, e determinou que a Patrulha do Exército se retirasse do local. Como Ludugério não foi atendido, o impasse continuou com o Destacamento da Polícia cercado pela patrulha do Exército. A população ficou apavorada.
      Diante dessa situação, Ludugério ligou para todos os Destacamentos das cidades vizinhas pedindo reforço, e fez contatos com o Comandante do Batalhão da PM, que era em Campina Grande, com o Comandante Geral e com o Secretário de Segurança Pública, relatando os fatos e pedindo apoio. Em seguida Ludugério ligou para um Subtenente do Exército que morava na cidade tendo este comparecido ao local e determinado que a Patrulha do Exército se recolhesse ao Quartel, no que foi atendido. Mas a tensão continuou.  Passava do meio dia quando, os poucos, os reforços do Destacamento foram chegando.
        O então Tenente Marcílio Chaves era Delegado de Pombal e chegou com todo seu Destacamento. A primeira providência de Marcílio foi retirar o Soldado Jaime do Destacamento e encaminhá-lo para o Batalhão, em Campina Grande. Às quatro horas da tarde o Destacamento já contava com cerca de trinta policiais.  E o clima foi ficando cada vez mais tenso.  Marcílio e Ludugério foram ao Quartel do Exército e se comunicaram com o Tenente, Subcomandante da Companhia, que acabava de chegar de Caícó, sede do Batalhão.
       Do entendimento entre Ludugério e Marcilio com o Tenente do Exército ficou acordado que seria feito um IPM para apurar os fatos, pelo que o Sargento deveria ser submetido a um exame de corpo de delito, o que seria feito por dois médicos da cidade. Ludugério convenceu os médicos, que eram adversários políticos, a fazer essa perícia, que atestou que o Sargento estava em coma alcoólico.
       Era quase cinco horas quando chegou à cidade um Pelotão do Exército, sob o Comando de um Oficial, vindo de Natal, em um caminhão. No fim da tarde, quando os ânimos já estavam serenados, chegou o Comandante Geral, o Coronel João Gadelha de Oliveira, que estava acompanhado do Secretário de Segurança Pública..
     Por determinação do Comandante Geral, Marcílio foi encarregado de fazer o Inquérito Policial Militar, e indiciou o Sargento, que já era conhecido no Exército como um militar de mau comportamento, e que pouco depois desses fatos foi transferido para Manaus.
 
    A paz foi restabelecida e o convívio entre os policiais do Destacamento e os integrantes da Companhia do Exército voltou a ser de harmonia. O processo acabou arquivado na Justiça Militar.

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