Duas épocas bem distintas: Assaltante de banco e ladrão de galinha

Compartilhe!

      Constatamos, através do noticiário nacional, que nos últimos cinco anos as Polícias Militares em todo Brasil têm encontrado grandes dificuldades para prevenir e reprimir as ações das quadrilhas especializadas em roubos a Bancos. São grupos fortemente armados, que se utilizam de potentes veículos e meios sofisticados como explosivos de alta potência. Constata-se que é comum nessas ações a adoção de medidas destinadas a neutralizar as ações da Polícia e criar terror nas cidades onde eles agem, o que revela a existência de minuciosos planejamentos.
      Por essas características essas ações já são tratadas como modernas formas de cangaço, embora esse não fosse nada planejado. Por mais equipadas e preparadas tecnicamente que as forças policiais estejam não têm alcançado os resultados desejados nessas ações, mesmo que tenham obtido relativos sucessos em algumas operações repressivas.
    Diante da complexidade desse quadro, lembramos, por curiosidade, o quanto era diferente a situação vivenciada pela PM da Paraíba na década de 1930.   No mês de outubro de 1936 a Polícia Civil publicou uma revista com o título “Revista Policial da Paraíba”, cujo objetivo, como era natural, era divulgar os feitos da Polícia.  Dessa publicação extraímos o conteúdo de um artigo que ilustra bem um dos tipos de ações mas importantes desenvolvidas pela polícia.
   Trata-se da prisão em flagrante de um ladrão de galinha, com direito a foto, inclusive com os policiais fazendo pose de herói. Chama também a nossa atenção a linguagem utilizada no texto, que expressa o estilo adotado pelos jornais da época quando publicavam matérias policiais.
    Publicamos, no final, uma foto dessa matéria, mas talvez ela não esteja bem legível, pelo que reproduzimos, com pequena atualização da grafia,  um  trecho que ilustra o estilo adotado.  É que passamos a fazer.
   Tratando o ladrão de galinha como a forma mais vil de ação delituosa a material, de forma irônica, registra os tipos de crimes contra o patrimônio mais comumente praticados na época.
Arriscam-se, porém, os ladrões de pequeno porte a entrar num quintal, alta hora da noite e deixar um galinheiro sofrendo a ausência completa de suas belas criações.  Usa-se, com frequência surpreender os meliantes nos poleiros com um tiro de espingarda de caça, na qual o chumbo é substituído por uma boa quantidade de sal suficiente para produzir no gatuno uma ferida cancerosa, dificilmente curável, mas é inútil, os ladrões de galinha, os gatuno de feira, os descuidistas, etc,  toda essa horda de indivíduos   que não tiveram  a felicidade de saber negociar com câmbio negro, de emitir cheques sem fundos, de extorquir dinheiro por meio de chantagem, de fabricar estampilhas, e outras cositas mais, toda essa gente, repetimos, incapaz de assim operar elegantemente, não se arreceia de enfrentar as consequências  que lhe estejam reservadas para os momentos de sua roubalheira barata.
   Se referindo à foto publicada, diz o texto:
     O Cliche que ilustra  esta ligeira crônica representa o flagrante de prisão de José Ibiapino  quando este procurava vender algumas galinhas furtadas  no poleiro de alguém.
   Ibiapino tem mesmo predileção penas  pela aves de penas, como diria o caipira,  pois é indivíduo conhecidos entre seus pares como sendo incapaz de desvia-se  para outra causa. Sente-se, deveras atraído pelo co-co-ro-có de uma “penosa” e acha que morreria de fome se fosse obrigado a furta genro de natureza diversa.
 

Compartilhe!

Posts Relacionados:


Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

Notificação de
avatar