Dinastia policial militar: A família Lordão

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Em continuidade aos registros que estamos fazendo sobre as famílias formadas por policiais militares vamos agora focar a nossa atenção para a família Lordão, a mais longeva das que temos conhecimento e que chegou à quarta geração.  Iniciada em 1910, quando Isac Lopes Lordão ingressou na Força Pública da Paraíba e continuada por seus filhos Iran Lordão e Ivanile Lordão, do final da década de 1930 ao início da década de 1970, por seu neto Wolgrand Lordão, de 1967 a 1997, e seu bisneto Wolgrand Lordão Junior, de 1983 a 2013. Portanto, essa família teve integrantes na Polícia Militar durante 103 anos.

O Tenente Isac Lopes Lordão

Isac Lopes Lordão ingressou e saiu da Polícia Militar quatro vezes, como permitia a legislação da época. Nascido em 22 de novembro de 1893, ele assentou praça em 12 de julho de 1910, portanto com 17 anos de idade. Promovido a Sargento, por indicação do Comandante, como era próprio da época, ele teve expressiva atuação, como Segundo Sargento, das lutas que a Corporação enfrentou nos anos 1911/12 contra grupos armados liderados por João Santa Cruz na região de Monteiro, no cariri paraibano.

Em 12 de setembro de 1913 ele deu baixa e passou a exercer funções servidor civil do Estado. Em 1917 ele retornou ao serviço ativo, mas só passou 11 meses nessa situação (1° de janeiro a 14 de novembro). O mesmo se deu em 1925, quando ele passou mais 5 meses na Corporação (20 de março a2 de agosto).

Finalmente, em 1° de março de 1930, quando teve início a luta da Força Pública contra os grupos armados liderados pelo Deputado José Pereira, na região de Princesa Isabel, Isac Lordão foi reincorporado, e dois anos depois já ocupava a importante função de Sargento Ajudante, o que hierarquicamente estava acima de Primeiro Sargento. Naquela época não existia a graduação de Subtenente na Corporação. Até o final da década de 1940 era comum ocorrer promoção comissionada, para praças ou para Oficiais.  O policial ficava nessa situação por certo tempo e poderia ser confirmado ou não. Se confirmado o posto ou graduação passava a ser definitivo. Se não confirmado o policial voltava a situação anterior. O Sargento Isac Lordão foi comissionado Segundo Tenente no dia 5 de setembro de 1936 e efetivado nesse posto em 25 de janeiro de 1937.  Em 1946 ele foi Primeiro Tenente e em 1949 foi Capitão.

Em 1951, ao completar 54 anos de idade, o Capitão Isac Lordão passou para o reserva, quando seus dois filhos Iran e Ivanile já tinham, ingressado na Corporação, o primeiro em 1937 e o segundo em 1939.

 O Coronel Iran Lopes Lordão Iran Lorde Lordão nasceu em 1º de julho de 1918 e ingressou na Polícia Militar em 1º de julho de 1937, portanto com 19 anos de idade. Depois de 19 anos de serviço como praça, Iran foi aprovado na seleção para o quarto Curso de Formação de Oficiais a ser realizado na Paraíba iniciado em 1956, sendo declarado Aspirante a Oficial no dia 25 de janeiro de 1958 e em agosto do mesmo ano foi promovido a Segundo Tenente.  Em 1961 foi primeiro Tenente e dois nos depois Capitão. Durante muitos anos Iran Lordão exerceu atividades de Delegado de Polícia, o que era muito comum na Paraíba até o final da década de 1970.

Em 1936, através da Lei Federal 193 que regulamentava o dispositivo o artigo da Constituição de 1935 que tornava as Polícias Militares Forças Auxiliares do Exército, criou, entre outras normas que organizavam essas Corporações, a exigência do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais para a promoção ao posto de Major. Porém a lei 1.623, de 1939 revogou essa exigência, que só voltou a ser imposta pela Lei 317 de setembro de 1967. Portanto, de 1939 até setembro de 1967 não havia exigência de CAO.

Assim, Iran foi promovido, por merecimento ao Posto de Major, no dia 8 de fevereiro de 1967, e a Tenente Coronel em 16 de junho de 1969, passando para a reserva compulsória, com os proventos de Coronel, em 1º de julho de 1974. Mesmo na reserva o Coronel Iran Lopes Lordão continuou, por vários anos, exercendo as funções de Delegado de Polícia, sendo titular de diversas Delegacias Especializadas com muita habilidade e competência técnica.

O coronel Ivanile Lopes Lordão Ivanile Lopes Lordão nasceu em 22 de fevereiro de 1922 e ainda de menor idade, em 1º de dezembro de 1939, ingressou na Polícia Militar. Depois de passar por todas as graduações, chegando a Subtenente, Ivanile foi aprovado para o terceiro CFO a funcionar na Paraíba, e que foi iniciado em 1952 e concluído em 7 de setembro de 1954, quando ocorreu a declaração de Aspirante.

Portanto, mesmo sendo mais novo que seu irmão Iran e tendo ingressado na Corporação depois dele, Ivanile alcançou o oficialato antes. Curiosamente, mesmo assim, Iran chegou ao posto de Tenente Coronel antes de Ivanile, como se verá mais adiante. Promovido ao posto de Segundo Tenente em 16 de março de 1955, e ao de Primeiro Tenente em 27 de fevereiro de 1957, Ivanile passou a exercer funções de Delegado de Polícia Civil. Quando já estava prestes a completar 40 anos de idade, Ivanile foi promovido ao posto de Capitão em 11 de fevereiro de 1962.

Nesse posto, em 1967, ele frequentou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Polícia Militar de Pernambuco, mesmo que tal curso não tivesse o caráter de obrigatório. No ano seguinte foi promovido a Major, em 27 de abril.  Em 1969 foi aos Estados Unidos participar do Curso Geral de Polícia, promovido pela USAID, do qual participaram, em períodos distintos, mais 9 Oficiais da  PM da Paraíba. Em 30 de janeiro de 1975 foi promovido a Tenente Coronel, depois de 36 aos de serviço. No dia 22 de fevereiro de 1978 Ivanile passou para a reserva com os proventos de Coronel e continuou exercendo as funções de Delegado de Polícia Civil.

Quando Ivanile Lordão passou para a reserva o seu filho Wolgrand Lordão Pinto Lordão já tinha ingressado na Polícia Militar e havia alcançado o posto de Capitão, iniciando assim a terceira geração da família a integrar a Corporação.

O Coronel Wolgrand Lordão Pinto        Dotado de aptidão para a vida policial militar herdada do seu pai Ivanile, do seu tio Iran e do seu avô Isac, o jovem Wolgrand Lordão Pinto também ingressou na Polícia Militar. Nascido em 17 de julho de 1947, na cidade de Taperoá, Wolgrand  Lordão foi incluído na Corporação no dia 12 de julho de 1967, passou dois anos como praça e em 1969 foi aprovado na seleção para o Curso de Formação de Oficiais.  Esse CFO, realizado na Polícia Militar de Pernambuco, foi o quinto da Polícia Militar a ser feito fora do Estado, (1969/71).

A declaração de Aspirante ocorreu no Quartel do Derby, em Recife, no dia 11 de dezembro de 1971. Além de Wolgrand Lordão também integravam a turma: João Soares de Santana, João Batista de Souza Lira, Severino da Costa Medeiros, Francisco Vieira de Freitas, Manuel Sales, José Firmino, Elias Alves Barbosa, Elias Izidro, e Geraldo Carlos. No dia 10 de outubro de 1972, quando ainda se comemorava o aniversário da PM nessa data, Wolgrand Lordão foi promovido ao posto de Segundo Tenente e no ano seguinte, na mesma data, foi Primeiro Tenente.

Nesses postos Wolgrand exerceu funções administrativas e operacionais correspondentes à sua posição hierárquica. Sua promoção ao posto de Capitão se deu no dia 21 de abril de 1976, quando ele passou a exercer o comando de Companhias na área do Primeiro Batalhão. Nesse posto ele passou quase nove anos. Na busca do seu aprimoramento profissional Wolgrand Lordão concluiu o Curso de Direito na UFPB, em 1977.

Em 1984 o Capitão Wolgrand Lordão participou do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Polícia Militar do Paraná, um dos melhores centros de treinamento policial do Brasil. No ano anterior, 1983, o seu filho Wolgrand Pinto Lordão Junior estava ingressando da Corporação, iniciando a quarta geração de policiais militares da família Lordão.

A ascensão de Wolgrand ao posto de Major se deu em 16 de dezembro de 1986, e na mesma data, curiosamente, ocorreram também promoções de mais oito capitães, o que era um fato incomum na época tendo em vista a quantidade de vagas até então previstas no quadro para o posto de Major (eram apenas 14).  Esse fenômeno foi o resultado da implementação de uma nova Lei de efetivo (Lei 4.889 de 03/12/1986), que aumentou o efetivo em cerca de 50%.  Foram criadas nove vagar de Oficiais superiores: Uma de Coronel, quatro de Tenente Coronel e quatro de Major, todas preenchidas na mesma data.  Na mesma ocasião 28 Primeiros Tenentes foram promovidos a Capitão. A empolgação foi geral.

Depois de promovido a Tenente Coronel, em 1987 Wolgrand Lordão fez o Curso Superior de Polícia na PM de Pernambuco no qual elaborou um trabalho monográfico com a proposta para a implantação de um novo regulamento disciplinar que extinguia a punição de prisão e incluía outras inovações que humanizava o vetusto regulamento.

No posto de Tenente Coronel Wolgrand Lordão, comandou o 4º Batalhão, sediado em Guarabira, quando teve oportunidade de Comandar o seu Filho Wolgrand Pinto Lordão Filho, que na época já tinha alcançado o posto de Primeiro Tenente. Promovido a Coronel em 20 de agosto de 1990 ele passou a ocupar funções correspondentes a esse posto, quando foi Diretor de Pessoal, Diretor de Apoio Logístico, e Comandante do Policiamento da Capital.  No dia 12 de julho de 1997, aos 50 anos de idade, Wolgrand Lordão passou a reserva remunerada, depois de 30 anos de ininterruptos serviços.

No dia 1º de maio do ano 2000 Wolgrand Lordão, aos 53 anos de idade, faleceu em meio aos carinhos dos seus familiares e amigos. Frequentador assíduo do Clube dos Oficiais, o seu nome está ligado àquele sodalício, onde denomina o parque aquático daquela entidade.

O Coronel Wolgrand Pinto Lordão Junior

O representante da quarta geração da família Lordão a integrar a Polícia Militar foi Wolgrand Pinto Lordão Junior, que nasceu em 14 de março de 1965 e ingressou na Corporação em 25 de janeiro de 1983, portanto, antes de completar 18 anos.  Wolgrand Junior foi selecionado para o Curso de Formação de Oficiais, que foi realizado na Polícia Militar de Goiás, e concluído em 17 de outubro de 1985, com a declaração de Aspirantes.

Naquela época as Polícias Militares que tinham Academias informavam à IGPM a quantidade vagas disponíveis para outras corporações. A IGPM oferecia essas vagas às demais PMs.  Na Paraíba existiam muitas vagas no Quadro de Tenentes e o comando buscava aproveitar todas as vagas oferecidas. Dessa forma, em 1983 foram oferecidas 18 vagas para as Academias de Goiás, Paraná e Pernambuco e todas foram aceitas.

Seguiram para Goiás, além de Wolgrand: Marcos Firmino Dias, Geraldo Ramos de Souza, Antônio Soares Chaves, Getúlio Bezerra de Macêdo Filho, Fernando Monteiro de Oliveira, José Gomes da Silva, Vilson Dutra de Souza, Hélio Vieira Rocha e Cláudio Rodrigues Costa, que concluiu o curso no Ceará. No mesmo ano começaram o CFO em Pernambuco Jonas Simões, Célio Evangelista, Lionaldo Lino e Eleotério Guimarães. Para o Paraná seguiram Antônio Cezar, Israel Oliveira, Bartolomeu Macêdo, e Marcos Aurélio de Carvalho.

As promoções de Oficial subalterno e Intermediário de Wolgrand Junior ocorreram sempre no dia 25 de agosto. (Segundo Tenente em 86, Primeiro Tenente em 88, e Capitão em 1991).

Como Tenente Wolgrand Junior prestou serviço no Pelotão de Sapé, na Operação Manzuá, na Rádio Patrulha, na Companhia de Guardas, além de ter exercido funções burocráticas em diferentes Unidades. Ainda como Tenente, ele passou pelo Quarto Batalhão, onde foi Almoxarife, dirigiu o setor de pessoal e o serviço de informações além de ter Comandado as Companhias de Mamanguape e Itabaiana.

Em 1988 ele integrou o Comando de um efetivo que mesmo com a denominação de Pelotão Especial de Choque (PEC), era formado por cerca de 200 homens. Esse serviço foi informalmente criado pelo Coronel Mardem Alves da Costa, Comandante Geral da Corporação e era a ele diretamente subordinado. Inicialmente esse Pelotão se instalou em dependência do Quartel do Comando Geral e pouco depois foi transferido para o Quartel de Cabedelo, onde também estava sendo implantado um Canil. Foi uma época de muitas manifestações com greves de transportes urbanos, bancários, professores e outras categorias.

O PEC sempre esteve presente nesses acontecimentos, cumprindo seu papel, sem maiores dificuldades.  Além do emprego nessas manifestações, o PEC fazia blitzen diariamente em áreas de maior incidência de ocorrências policiais na cidade. Foi o antecedente do Policiamento Tático.

Esse efetivo não teve uma formação específica para execução desse tipo de serviço, e para suprir essa necessidade os Oficiais passavam o dia ministrando instrução e a noite saiam para as blitzen. Naquela época o Comandante do PEC era o Capitão João Batista de Lima e também integravam o corpo de Oficiais os Tenentes Washington França, João Eurivaldo Pontes e Gledson José Fernandes da Costa, que prestaram um serviço de alta relevância, tanto nas atividades de instrução como nas operações. Também prestaram importantes contribuições ao PEC os Sargentos Simões e Dárcio, além das policias femininas Lígia, Virginia e Monica, as primeiras mulheres que ingressaram na PM e que acabavam de concluir o CFS, realizado na PM de Pernambuco.

Já no posto de Capitão Wolgrand Junior Comandou a Companhia de Souza, durante três anos (1989 /91), onde em razão das suas qualidades como cidadão e como profissional, realizou um grande comando e construiu um largo círculo de amizade. Seguindo os mesmos passos do seu pai, ele concluiu, em 1992, o Curso de Direito, na Universidade Federal de Souza.

De volta à capital, Wolgrand prestou serviço no Centro de Ensino e na Diretoria de Apoio Logístico. Em 1995 seguiu para o Estado de Pernambuco onde fez o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, se habilitando legalmente para as futuras promoções.

Major em dezembro de 2002, e Tenente Coronel em agosto de 2005, Wolgrand Junior passou a exercer funções do Comando. De novembro de 2005 a fevereiros de 2008 ele Comandou o 4º Batalhão, que anos antes tinha sido comandado por seu pai. Ainda como Tenente Coronel Wolgrand Junior assumiu diversas funções pertinentes ao seu posto.

Em agosto de 2008 foi promovido a Coronel e nesse posto foi Assessor Militar da Assembleia Legislativa, em duas oportunidades, Corregedor Geral da Corporação, Assistente do Comandante Geral e Comandante do Policiamento Metropolitano e, posteriormente Comandante do Policiamento da 2ª Região, com sede em Campina Grande, onde encerrou a carreira, passando para a reserva no dia 25 de janeiro de 2013.

Além de Wolgrand Junior, o Coronel Wolgrand Lordão teve outro filho de nome Iran Lordão, que ingressou na PM como Soldado e chegou à graduação de 3º Sargento e prestou serviço por alguns anos na Diretoria de Pessoal. Aprovado em concurso público para as funções de Oficial de Justiça  do Estado, Iran Lordão deixou a corporação ainda jovem, mesmo assim manteve as tradições da família honrando o nome da corporação. Portanto, do Tenente Isaac Lordão, que ingressou na Corporação 1910, até Wolgrand Lordão Junior, que passou para a reserva em 2013, foram 103 anos de presença da família Lordão na Polícia Militar.

Aspirante Wolgrand Lordão - 1970 Declaração de Aspirantes - 1970 - Quartel do Derby -  Pernambuco Declaração de Aspirantes - 1970 - Quartel do Derby -  Pernambuco Aspirantes  da Paraíba formados em Pernambuco em 1970 - Coronel Wolgrand Lordão                                                 Aspirantes da Paraíba formados em Goiás em 1985                                               O Aspirante Wolgrand, filho, e o Capitão Wolgrand, pai Coronel Wolgrand Lordão Junior                                                                         Tenente Isac Lordão

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2 Comentários em "Dinastia policial militar: A família Lordão"

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Adriana Lordão
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Apenas faltou o Iran Lordão Neto, também membro da Polícia. É possível fazer esse acréscimo? Agradeço

coronel batista
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OK ADRIANA: Obrigado pela lembrança. Inclui IRAN NETO .Por favor dê uma olhada. Se tiver mais dados sobre ele e puder remeter, agradeço. Por exemplo eu não tenho as datas de ingresso e saída dele na PM, assim como a data de Promoção. Gostaria também de fotos dele e do Coronel Isaac, fardados. Mais uma vez, obrigado pela participação e se puder divulgue nosso blog com os amigos.