Deputado Ricardo Coutinho conhece os currículos dos cursos da Policia Militar

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      No decorrer da década de 1990 as intensas críticas ao sistema de segurança pública e, em particular, às Polícia Militares de todo o Brasil  feitas pelos políticos da esquerda e por militantes dos movimentos de defesa dos direito humanos foram intensificadas.
 Em São Paulo, no início daquela década, o Deputado Hélio Bicudo, Promotor de Justiça aposentado e que tinha alcançado notoriedade ao enfrentar a organização criminosa conhecida por Esquadrão da Morte, ocupava amplo espaço na impressa para denunciar que a Polícia Militar era violenta em razão da formação dos policiais ser eminentemente militarizada e por conta de a Justiça Militar Estadual ser corporativista.
Embora os dados expostos pelo Parlamentar paulista se referissem apenas ao Estado de São Paulo, as criticas atingiam a todas as Policias Militares do país. Em todo o país os militantes do movimento de defesa dos direitos humanos se aliaram a essas criticas.
    Em 1996 uma Patrulha da PM de São Paulo foi flagrada por um cinegrafista amador torturando moradores na Favela Naval, na cidade de Diadema. Esse fato ganhou ampla repercussão nacional, dando margem a mais uma onda de severas criticas ao sistema policial brasileiro, formuladas por jornalistas, cientistas sociais, juristas, políticos e militantes dos movimentos de defesa dos direitos humanos. Uma das consequências dessas críticas foi o surgimento da Lei contra Torturas.
   Em meio a essas discussões reapareceram, em todo o país, as questões relacionadas aos currículos dos cursos de formação dos policiais militares. Os integrantes dos movimentos de direitos humanos nos Estados, com apoio de políticos locais começaram a encampar essas criticas, embora sem dispor de dados concretos para suas alegações. Na Paraíba, Ricardo Vieira Coutinho, integrante do Partido dos Trabalhadores, no seu primeiro mandado como Deputado Estadual (1997/2000) foi o político que mais criticou a Polícia Militar naquele movimento. Ricardo Coutinho criticava através da imprensa, os currículos dos cursos de formação dos policiais militares, afirmando que eles eram montados para preparar os policiais para operações de guerra.
A alegação do parlamentar era de que nesses cursos existiam treinamentos incompatíveis com a formação de profissionais voltados para a proteção da sociedade, defendendo a humanização desses currículos.
    No início de 1991, a Polícia Militar tinha criado o Centro de Ensino, local de formação dos seus integrantes (Soldados, Cabos, Sargentos e Oficiais) e os currículos dos cursos passaram por profundas transformações.  O então Capitão Ardenildo Morais, juntamente com uma equipe de Oficiais que integrava o Centro de Ensino, foi o responsável pela elaboração e implantação dessas mudanças, no que contou com o integral apoio do Subcomandante Geral da Polícia Militar da época que era o Coronel Ramilton Cordeiro, um dos defensores dessas medidas de humanização dos currículos.
 Em 1999, grande parte do quadro dos Professores desses cursos era da Universidade Federal, em particular das disciplinas de conteúdo humanitário como, por exemplo, diversos ramos de Direito, Economia, Psicologia, Administração e Sociologia. A disciplina de Direitos humanos, em todos os cursos, era ministrada por militantes dos movimentos de defesas desse tema no Estado.
         Tomado conhecimento das críticas que o Deputado Ricardo Coutinho fazia à formação dos policiais militares, o Coronel Cordeiro, agora no Comando da Polícia Militar, o convidou para conhecer esses currículos e o Centro de Ensino da Corporação.
    Dessa forma, em meados do ano 2000, Ricardo Coutinho compareceu ao Centro de Ensino da Polícia Militar onde foi recebido pelo Coronel João Batista de Lima, Comandante daquele Centro, que, por determinação expressa do Coronel Ramilton Cordeiros, expôs ao parlamentar todos os detalhes dos currículos adotados nos cursos de formação dos policiais militares, assim como a lista dos docentes desses cursos, e os processos de seleção adotados para cada um deles. Naquela oportunidade o Parlamentar também visitou as dependências daquele Quartel.
      Depois desse fato o parlamentar amenizou as críticas que fazia à Corporação embora não tenha exposto ao público as informações que obteve e a razão da mudança de sua postura, o que provavelmente tenha se dado por razões políticas, uma vez que ele era militante da oposição ao Governo do Estado.
.....  E lá se foram quatorze anos.

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