Coronel Socorro Cristiane: Inteligência, dedicação e experiência a serviço da PM da Paraíba

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 Uma mulher inteligente, experiente, competente, dedicada à Polícia Militar, exemplo como profissional, como companheira de trabalho e como afetuosa mãe. Assim podemos definir a Coronel Socorro Cristiane de Oliveira Uchôa, uma das mulheres pioneiras nos quadros da PM da Paraíba.
Nascida no Bairro de Cruz das Armas, na capital paraibana, no dia 26 de abril de 1968, a Coronel Socorro é filha do Funcionário Público Estadual Carlos Alves de Oliveira e Inês Albuquerque de Oliveira. Dona Inês é irmã de Severino Lins de Albuquerque (falecido) que foi Coronel e Comandante Geral de PM e de Antônio Lins de Albuquerque que é Tenente Reformado do Quadro de Oficiai de Administração. Socorro tem um irmão que é Cabo da PM (Alves) e outro que é Coronel de Reserva do Quadro de Saúde (Carroberto) e ainda um primo, o Coronel Silvio Lins de Albuquerque (falecido), que foi Comandante do Corpo de Bombeiros.
Socorro Cristiane estudou até o 2º ano do ensino médio em escola pública, e concluiu o segundo grau no Colégio Pré-universitário (CPU), um dos mais conceituados da cidade.
No dia 26 de janeiro de 1987, depois de aprovada em um concorrido concurso para o Curso de Formação de Oficiais, Socorro Cristiane foi matriculada no CFO na Academia de Polícia Militar de Pernambuco, sediada na cidade de Paudalho. Ela, juntamente com Iris de Oliveira e Cristiane Wildt Cavalcanti, aprovadas no mesmo concurso, formaram o primeiro grupo de mulheres a ingressar na PM da Paraíba. Cristiane foi encaminhada para a Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, e Iris seguiu com Socorro para Paudalho.  Ainda no mesmo ano foi realizado um concurso para o Curso de Formação de Sargento, sendo selecionadas, Virginia Paula Eduardo dos Santos, Mônica Carvalho de Miranda Freire e Carmem Lígia Fernandes de Oliveira, que fizeram o CFS no Batalhão de Trânsito, em Recife.
No CFO os direitos e deveres das mulheres eram, como ainda hoje, iguais aos dos homens, com uma pequena adaptação das atividades físicas. As rigorosas exigências disciplinares, técnicas e intelectuais, incluindo estágios em atividades operacionais, em todo decorrer do curso, foram vencidas e Socorro Cristiane logrou aprovação, sendo declarada Aspirante a Oficial no dia 22 de dezembro de 1989. 
 Durante o seu período de Aspirante ela exerceu funções administrativas no Quartel do Comando Geral, predominantemente no setor de Relações Públicas. Ainda como Aspirante, no início de 1990, ela foi aprovada no Concurso Vestibular da UNIPÊ e iniciou o Curso de Direito.  Em 25 de Agosto daquele ano ela foi promovida a 2º Tenente passando a prestar serviço no 1º Batalhão comandando o Pelotão de Comando e Serviços, a Seção de Pessoal, e o Serviço Relações Público. Em 1991 a Tenente Socorro foi coordenadora e instrutora da primeira turma de Soldados Femininos da PM. No mês de julho do ano seguinte ela integrou um grupo de policiais femininos, que ficou sediado no prédio onde atualmente funciona o Ambulatório Médico da Corporação (Rua da Areia).  Esse grupo recebeu a denominação informal de Companhia Feminina, e era Comandado pelo Capitão José Gonçalves de Sá. Promovida a 1º Tenente em 25 de agosto de 1992, Socorro continuou na Companhia Feminina, agora integrando a Companhia de Trânsito.
Da Companhia de Trânsito a 1º Tenente Socorro foi transferida, em agosto de 1993, para o Centro de Ensino. Com ela seguiram diversas policias que prestavam serviço naquela Subunidade. Desta feita o desafio de Socorro era participar da instalação do Colégio Militar que tinha sido criado há poucos dias e para o qual ela foi designada como vice-diretora. Quando exercia essas funções, ela concluiu o Curso de Direito na UNIPÊ, em 1994, o que lhe proporcionou mais habilidade técnica e intelectual para o exercício de suas funções.
Ainda no seu período de vice-diretora do Colégio da PM, Socorro foi promovida a Capitão, em 21 de abril de 1996. Continuando nessas funções e contando com total apoio e confiança dos seus superiores, Socorro desenvolveu um trabalho técnico, abnegado e profícuo com o qual o Colégio alcançou um elevado nível de credibilidade. Depois de quase seis anos nessas funções, ela se afastou, em 1999, para frequentar o Curso de Aperfeiçoamento de Oficias (CAO) o que lhe habilitou legalmente para as promoções aos postos de Oficial Superior.  
Concluído o CAO, a Capitão Socorro, já dispondo de um extenso  instrumental teórico e elevada experiência administrativa e operacional, além de gozar da confiança e admiração dos seus pares, subordinados e superiores, passou a prestar serviço na Diretoria de Pessoal, onde ocupou vários funções, até o final de 2001.
No começo de 2002 ela passou a prestar serviço na Assessoria Militar do Tribunal de Justiça, que era Chefiada pelo Coronel Américo José Estrela Uchôa. Nessas funções ela foi promovida a Major em 21 de abril de 2003 e ali permaneceu por dois anos.
No começo de 2004 a Major Socorro comandou a Companhia de Trânsito e no final do mesmo voltou a prestar serviços do Centro de Ensino, como com Diretora do Colégio, exercendo em diferentes períodos as funções de Comandante da Academia, Vice-diretora do Centro de Ensino.    Objetivando se aperfeiçoar na área de educação ela frequentou, em 2006, o Curso de Especialização em Gestão e Técnica de Ensino onde obteve novos conhecimentos que melhor lhe capacitaram para dirigir o Colégio. Esse curso é promovido regularmente no Centro de Ensino da Polícia Militar e ministrado por professores da UFPB.
Ainda na busca de novos conhecimentos, Socorro foi aprovada, em 2007, em uma rigorosa seleção para frequentar o Curso de Gestão Estratégica de Pessoas na Administração Pública, promovido pela Universidade Estadual da Paraíba, e que teve a duração de dois anos. Esse curso tem nível de MBA, uma sigla inglesa para Master in Business Administration que em português significa Mestre em Administração de Negócios e se destina a formação de executivos na área de administração, estudando matérias de finanças, contabilidade, recursos humanos e marketing entre outras.
Promovida a Tenente Coronel, em 20 de agosto de 2008, Socorro continuo na direção do Colégio da Polícia Militar até 21 de abril de 2012, quando foi promovida a Coronel.   
Portadora do MBA na área de Administração de Pessoal a Coronel Socorro voltou à Diretora Geral de Pessoal da corporação, agora na função de Diretora. Aplicando os conhecimentos adquiridos no MBA Socorro implantou uma nova filosofia na política de administração dos recursos humanos que renderam bons frutos para a corporação. 
Coronel Socorro Cristiane - Desfile de 7 de setembro  - 2014
Coronel Socorro Cristiane - Promoção social no Hospital Edson Ramalho
Coronel Socorro Cristiane - Diretora de Pessoal da PMPB
 Em junho de 2014, a Coronel Socorro recebeu um novo desafio; dirigir o Hospital Edson Ramalho. No exercício dessas funções ela, mais uma vez, dá prova da sua elevada formação e competência profissional desenvolvendo um trabalho de elevado alcance social. Com muita habilidade no trato com todos que integram o corpo de servidores daquele Hospital e dos que são beneficiados com aquele serviço, e aplicando seus vastos conhecimentos na administração da coisa pública, com zelo, elevado espírito republicano, dedicação e competência, a Coronel Socorro Cristiane vem desenvolvendo uma meritória gestão naquele órgão prestador de um serviço de elevada importância para a sociedade paraibana.
No ano 2000 Socorro ficou viúva e com uma filha (Izabele Uchôa, atualmente com 22 anos) e no ano 2003 contraiu novo casamento com o Empresário Elias Araújo, com quem tem outra filha (Lorena Araújo, atualmente com 10 anos).
Lorena, Socorro e Izabele
Socorro Cristiane e Elias Araújo      
 Socorro e Iris: As feras de Paudalho
Tive a honrosa oportunidade de acompanhar toda trajetória dessas guerreiras desde os seus primeiros dias no CFO, na Academia de Polícia Militar do Paudalho, em Pernambuco, quando ali frequentei o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, em 1987. “Os feras”, como eram chamados os novos alunos, tinham acabado de chegar de uma marcha no interior do imenso sítio da Academia, que na verdade era uma grande mata. Era o início do famigerado trote, que, pela primeira vez, contava com a participação de mulheres. Passava das seis de noite quando eles chegaram no extenso pátio da Academia,  e o moído tinha durado o dia todo. Os alunos estavam exaustos.  
 De longe observei as preleções finais dos alunos do segundo ano, que comandavam o trote, como mandava a tradição. Pela vibração desses alunos, pude imaginar a extensão do trote, pois já tinha passado por isso naquela mesma Academia, treze anos antes. Eu era contra esse tipo de coisa e por isso sofri retaliações durante o CFO.    Quando “os feras” foram liberados, me aproximei dos alunos da Paraíba e dirigi palavras de incentivo procurando mostrar que aquilo era exceção e que no geral o CFO era bem diferente daquilo, que só buscava testar o vigor físico e resistência moral dos alunos.
     Entre os feras estavam Socorro e Iris, trajando short, camiseta e tênis, como os demais “feras”. As duas todas lapiadas de espinhos, urtigas, garranchos e outros agentes cortantes e contundentes existentes nos percursos da malsinada marcha e que produziam os efeitos tão desejados pelos que programavam o trote. O esgotamento físico delas era patente, mas pareciam de moral elevado.
Pela tradição, é nesse momento que alguns alunos desistem do curso, pelo que, para provoca-las, perguntei se elas iriam desistir, ao que Socorro respondeu;
   - Capitão, eu estou toda moída. Foi muito duro. Mas não vou desistir de jeito nenhum.  Ninguém tira o meu sonho de ser Oficial.
Com o mesmo espírito e com a mesma convicção Iris disse:
  - Capitão eu não sou de desistir. O sacrifício foi grande, mas eu vou continuar. Se for preciso farei isso todo dia, até o fim do curso. Nada vai me deter.
Fiquei muito orgulhoso de ter aquelas verdadeiras guerreiras como futuras companheiras de trabalho. E testemunhei, ao longo dos quase vinte anos de convívio no serviço ativo, até que elas alcançaram o Posto de Capitão, que aquela garra não era apenas retórica.  Tudo que elas faziam como profissionais era com amor, dedicação e muito entusiasmo. Depois, já na inatividade, continuei acompanhando as suas atividades. São mulheres que engrandecem a PM da Paraíba.

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2 Comentários em "Coronel Socorro Cristiane: Inteligência, dedicação e experiência a serviço da PM da Paraíba"

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Marcelo
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Parabéns, Coronel. Foi muito bom conhecer a carreira e a garra dessa policial militar que muito honra a briosa Polícia Militar da Paraíba.

coronel batista
Visitante

Obrigado Marcelo, pelos elogios e pela sua participação. Entendemos que além de uma justa homenagem à Coronel Socorro, também estamos resgatando a história da Policia Militar que é feita de detalhes como os expressos na postagem em referência. Divulgue nosso blog e participe.