As lutas da PM da Paraíba no combate à revolução praieira

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Com a denominação de Força Pública, a Polícia Militar da Paraíba cumpriu, ao longo do Século XIX, missões específicas com deslocamentos de tropas, combates, mortes, vitórias e derrotas, sempre em defesa da legalidade e da manutenção da ordem.  Pela especificidade dessas missões, as denominamos de Campanhas Militares.
Dessa forma, exporemos, de forma sintética, em quatro artigos, as Campanhas Militares da Revolução Praieira; A Revolta do Ronco da Abelha; A Guerra do Paraguai e a Revolta do Quebra-Quilo. 
Para melhor nos situarmos nos palcos desses acontecimentos, registre-se que durante esse período, os Presidentes das Províncias, que eram nomeados pelo Império, detinham o poder de emprego das Tropas de Linha (Exército) e também da convocação da Guarda Nacional, que eram Organizações não permanentes e que só eram remuneradas, pelo Império, quando convocadas.
A importância do papel da Força Pública nesses eventos só pode ser melhor compreendido e tivermos em mente as dificuldades próprias daquela época.  As longas distâncias eram vencidas à pé, por precários caminhos, por onde, às vezes, se percorriam mais de 100 km. Faltavam meios de comunicação, mantimentos e assistência sanitária. O armamento era precário. O emprego conjunto de forças de origens diferentes, como Tropa de Linha, Guarda Nacional e Força Pública, fato comum nessas Campanhas, por certo deve ter acarretado falta de Unidade de Comando. A Guarda Nacional, intensamente empregada e que prestou relevantes serviços, era indisciplinada, pela própria forma de recrutamento, resultando muitas deserções, em momentos de decisivos combates, comprometendo as outras forças empregadas. A escassez de efetivo, o baixo nível de instrução, adestramento e disciplina da própria Força Pública se constituiu óbices aos seus objetivos.
Em suma, a Força Pública retratava a realidade da época na nossa Província, razão porque a avaliação de seus feitos não pode ser dissociada dessa realidade.   Nesta postagem abordaremos a participação dessa corporação no combate aos revolucionários praieiros, que constitui um batismo de fogo.
 
                A CAMPANHA DA REVOLUÇÃO PRAIEIRA
 
Antecedentes
 
A disputa pelo poder entre o Partido Liberal e o Conservador em Pernambuco,  sempre foi muito conturbada. De 1844 até 1848, esteve no poder o Partido Liberal. Em outubro de 1848, assumiu a Presidência daquela Província, o Partido Conservador, na pessoa de Herculano Ferreira Pena. Teve início, então, uma série de hostilidades por parte do Governo, contra seus adversários políticos.
Dessa forma, começou a se criar um clima de revolta que resultaria no movimento sedicioso que ficou conhecido por Revolução Praieira.  Essa denominação se deu pelo fato do Partido Liberal contar com o apoio do Jornal diário Novo, com sede na Rua da Praia, em Recife (PE). O movimento chefiado pelo Deputado Geral Nunes Machado, se concentrou inicialmente em Olinda (PE) e se destinava a depor o Presidente daquela Província, Herculano Ferreira Pena, que foi substituído em dezembro de 1848, por Manuel Vieira Tosta, também conservador. O novo Presidente intensificou a repressão aos revoltosos, o que fez aumentar a tensão e tornar a luta ainda mais ardorosa.
A 2 de fevereiro de 1849, os Praieiros contando aproximadamente com 2 mil homens invadiram o Recife, objetivando depor o Presidente Manuel Vieira Tosta, encontrando severa defesa da Tropa de Linha. Nessa luta morreram mais de 200 revolucionários e o seu principal Chefe, o Deputado Nunes Machado. Rechaçados no Recife, os revolucionários fugiram para o interior, se reunindo em Igarassú  (PE).  Daí se dividiram em duas colunas de 500 homens cada, seguindo uma em direção a Garanhuns (PE) e outra, sob o Comando de Manuel Pereira Morais, para Goiana (PE).
O objetivo dessas colunas era fazer a propaganda revolucionária e adquirir adeptos para, reorganizados, dar continuidade à luta. Em Goiana, os rebeldes aprisionaram a guarnição local e se apropriaram de armas, munições e mantimentos.
Tropas de Linha sediadas em Pernambuco, sob o Comando do Tenente Coronel Feliciano Antônio Falcão, saíram de Recife em perseguição aos revoltosos. No dia 13 de fevereiro de 1849, no sítio Pau Amarelo, nas proximidades de Goiana, verifica-se um encontro entre Tropas do Tenente Coronel Falcão e a Coluna Revolucionária, saindo vitoriosa a Tropa Legalista. Com esse resultado, a Coluna, em sua fuga, invadiu a cidade de Pedras de Fogo (PB), fato ocorrido no dia 15 daquele mesmo mês. De Pedras de Fogo, os Revolucionários seguiram na direção de Itabaiana (PB), Alagoa Grande (PB) e Areia (PB), onde foram finalmente derrotados.
 
Repercussões na Paraíba
 
Muito antes da deflagração violenta do movimento revolucionário em Recife, ocorrido em 2 de fevereiro de 1849, seus efeitos já tinham atingido a paz na Paraíba. Em maio de 1848, o Presidente da Paraíba, Dr. João Antônio de Vasconcelos, foi informado da possibilidade dos Liberais de Pernambuco, invadirem a Cidade de Goiana e a Vila de Pedras de Fogo.
Em consequência, esse Governante, temeroso que tal movimento se alastrasse à sua Província e os Revolucionários atacassem a Capital Paraibana, se dispôs a ajudar o Presidente da Província de Pernambuco, remetendo tropas para a Vila de Pedras de Fogo e para as proximidades de Goiana, deixando-as à disposição das autoridades daquela Cidade.
Seguiram para essa missão Tropas de Linha, parte da Guarda Nacional e o efetivo da Força Pública disponível na Capital, ficando essa Cidade guarnecida por um contingente da Guarda Nacional. Temendo ainda que essa providência não surtisse os efeitos desejados, o Dr. João Antônio ordenou que para a defesa da cidade, fossem construídas trincheiras nas partes por onde fosse possível a chegada de invasores. Completando esses cuidados, foi solicitado ao Presidente da Província de Pernambuco, o envio por mar, de 100 homens da Tropa de Linha, pedido esse que não foi atendido.
O contingente da Força Pública que se dirigiu para Goiana foi comandado pelo Capitão Genuíno Antônio Atahyde de Albuquerque, e era composto de 40 Praças e mais um efetivo da Guarda Nacional. Os ataques à Goiana e Pedras de Fogo, não se deu na época prevista, mas o clima de tensão continuou. O Capitão Genuíno retornou a Capital para organizar novos efetivos, que contavam até com índios.
No dia 13 de dezembro de 1848, a cidade de Goiana foi atacada pelos Revolucionários de Olinda. A cidade achava-se defendida por um efetivo de 60 homens da Força Pública da Paraíba, sob o Comando do Capitão Genuíno e mais componentes da Guarda Nacional. Iniciado o ataque, grande parte da Guarda Nacional desertou, enfraquecendo a defesa. Dado o elevado número de revoltosos, a Força Pública foi obrigada a ceder terreno, depois de uma luta que resultou em 7 mortes e 7 feridos.
Depois da tomada de Goiana, os Revolucionários invadiram Pedras de Fogo, no dia 15 daquele mês, de onde só saíram depois de derrotados em confronto com as Tropas de Linha, vindas do Recife, seis dias depois.
Os Revoltosos na Paraíba
 
Depois de derrotados em Recife, no início de fevereiro de 1849, os Revolucionários Praieiros outra vez invadiram Goiana e Pedras de Fogo, tendo chegado nessa cidade no dia 13 daquele mês.
Perseguidos por Tropas de Linha de Pernambuco, os Praieiros deixaram Pedras de Fogo e invadiram, no dia 14, o Distrito de Itabaiana, sem encontrar resistência, aí permanecendo até o dia 17. De Itabaiana seguiram para Alagoa Grande e no dia 18, invadiram Areia, onde encontraram apoio de uma parte da população.
Ao tomar conhecimento desses fatos, o Presidente da Paraíba voltou a reforçar as medidas de defesa da Capital e destacou um grupo formado por 30 componentes da Força Pública, sob o Comando do Chefe de Polícia, para fazer contato com os Revolucionários e intimá-los a depor as armas ou se retirarem da Província.
O Chefe de Polícia requisitou a Guarda Nacional sediada em Guarabira (PB) e junto com seu efetivo, dirigiu-se ao Distrito de Alagoa Grande para se juntar a Tropa de Linha de Pernambuco que vinha em perseguição aos rebeldes. Entretanto, ao chegar nesse local a Tropa de Pernambuco já havia seguido para Areia, no combate ao inimigo.
      No dia 20 de fevereiro de 1849, sob o Comando do Tenente Coronel Feliciano Falcão, a Tropa de Linha vinda de Pernambuco invadiu a Comarca de Areia, que se achava ocupada pelos Revolucionários, travando combates em diversos pontos do percurso, como na Serra da Onça, Serra do Tatu e na Rua da Palha, tendo a Força Legalista obtido a vitória. O  ataque,  iniciado às 7 horas da manhã, teve a duração de 10 horas, resultando em 11 Revolucionários mortos e 64 feridos e presos. Desalojados de Areia, os Praieiros fugiram com destino a Campina Grande (PB) e depois rumaram de volta com destino à Província de Pernambuco, já desorganizados e sem oferecer perigo a manutenção da ordem. Com a expulsão dos rebeldes da Paraíba, foram instaurados os Inquéritos e formalizados os Processos de julgamento das responsabilidades, sendo indiciados diversos paraibanos que aderiram à Revolução.

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