Apito de Ouro: O policial mais famoso da Paraíba na década de 1970

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         No decorrer das décadas de 1960 e 1970 um Soldado ganhou muita notoriedade em João Pessoa, chegando, mais de uma vez, a ser matéria de página inteira em um dos jornais de grande circulação na cidade.  Esse notável policial foi homenageado por Clubes de Serviço e órgãos da imprensa que lhe outorgaram o título de Apito de Ouro, uma alusão ao seu trabalho como guarda de trânsito exercendo o controle de tráfego nos principais cruzamentos do centro da cidade.  Essa figura carismática, sorridente, simpática e entusiasmada pelo seu trabalho foi o Soldado Antônio Augusto da Silva, que, por longos anos prestou serviço na Companhia de Trânsito de João Pessoa.
        Antes da construção do Viaduto Damásio Franca, no centro da cidade, os veículos vindos da cidade baixa cruzavam a Ruas Duque de Caxias e Visconde de Pelotas, seguindo pela Rua Padre Meira, em direção ao Parque Solon de Lucena. Por essas artérias também circulavam muitos automóveis. Havia, portando, necessidade de um controle dos fluxos desses veículos, principalmente nos horários de maior movimento. O mesmo ocorria em diversos outros cruzamentos, não só no centro, mas em esquinas de ruas como a Epitácio Pessoa e Cruz das Armas,, por exemplo.  Naquela época existiam poucos semáforos instalados na cidade e esse serviço era feito por Policiais Militares, que eram mais conhecidos por Guardas de Trânsito. Esses policiais recebiam treinamentos para executar os convencionais apitos e sinais de braços estabelecidos no Código de Trânsito.
      Apito de Ouro era sempre escalado para trabalhar em um dos cruzamentos do centro da cidade. E foi nessa atividade que o seu trabalho ganhou popularidade. É que ele, contrariando o que estabelecia o Código de Trânsito, criou uma série de gestos, movimentos e sons no apito, que em seu conjunto parecia uma coreografia.
       Ele ficava no centro do cruzamento, de frente para um fluxo de veículos, levantava o braço direito, dava um apito longo e abria os dois braços, fazendo os veículos pararem. Feito isso, ele fazia o movimento de direita volver, e ficava de frente para o outro fluxo, segurava o apito com a mão esquerda, ficava emitindo apitos intermitentes, e, depois, com os dois braços acenava para os carros seguirem em frente. Ele ficava no meio da rua e os carros passavam por um lado e por outro dele. Aí ele parava de apitar e passava a cumprimentar todos os motoristas com acenos e sorrisos.
    Quando passava determinada quantidade de carros, ele erguia o braço direito, dava um apito longo, apontava os carros que deveriam parar e quando isto acontecia ele soltava o apito da boca, fazia o movimento de esquerda volver, e durante esse movimento ele pegava o apito no ar com a mão esquerda, levava de novo a boca e dava um apito longo já com os braços acenando para que o fluxo de carros avançasse.
     Essa performance, como se diria atualmente, chamava a atenção do povo e muita gente ficava parada na calçada só observando. Com isso Apito de Ouro foi se tornando popular, e ganhando a atenção da imprensa.
    Os Guardas de Trânsito usavam cobertura e cinto de guarnição brancos e normalmente portavam um talão de multa em uma bolsa presa ao lado esquerdo do cinto e uma arma no coldre no lado direito.  Apito de Ouro não portava armas e nem talão, o que concorria para a sua popularidade.
    Com o tempo Apito de Ouro deixou de ser escaldo pela Companhia e ficou à sua escolha o local e o horário para trabalhar.
    Filho de Augusto da Silva e Maria Pessoa da Silva, agricultores em Caiçara, Paraíba, Antônio Augusto da Silva nasceu em 12 de janeiro de 1937, prestou o serviço militar obrigatório no 15º Regimento de Infantaria em 1956 e ingressou na Polícia Militar em 20 de julho de 1959. Como era reservista, Augusto, seu nome de guerra, não passou pelo Curso de Formação de Soldado, e logo que assentou praça começou a trabalhar em atividades operacionais e em 1969 começou a prestar serviço na Companhia de Trânsito que tinha sido criada naquele ano. Na sua de ficha de assentamentos funcionais constam diversos elogios, um dos quais foi concedido pelo Comandante Adolfo Maia, no final de dezembro de 1978, e é relativo ao alto grau de popularidade que ele obteve na cidade graças ao seu trabalho.
   Apito de Ouro foi promovido a Cabo, por tempo de serviço, no dia 22 de setembro de 1986, e passou para a reserva no dia 28 de janeiro de 1987, com os proventos de 3º Sargento.
   O Jornal A União, em edição de 27 de outubro de 2013 publicou uma matéria que sintetiza um perfil de Apito de Ouro.  Dessa matéria destacamos, e aqui reproduzimos, um precioso texto do Jornalista Gilson Renato, que ainda como criança chegou a ver no Ponto de Cem Reis, uma performance de Apito de Ouro, e guardou na memória.
Apito de ouro utilizando o seu troféu
Apito de ouro em ação
 
 

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4 Comentários em "Apito de Ouro: O policial mais famoso da Paraíba na década de 1970"

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Sandra Barbosa
Visitante

Memórias da nossa cidade e do nosso povo.

Edson Sales do Nascimento
Visitante

Lembro muito bem do Apito de ouro seu comportamento é digno nos dias de hoje, como boas práticas para o trânsito.
Sempre sorridente que falta faz nos dias de hoje pessoas assim.

coronel batista
Visitante

Verdade amigo Edson. A vibração e o entusiasmo de Apito de Ouro fazem muita falta.

coronel batista
Visitante

Sandra, realmente boas memórias.