A representação política da PM da Paraíba através da história

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A propósito da postagem na qual nos reportamos aos resultados obtidos pelos Policiais Militares que foram candidatos nas eleições desse ano na Paraíba, vamos abordar um tema correlato, qual seja, a forma como a PM da Paraíba foi representada politicamente durante muitos anos, ou pelos menos registrar casos em que Policiais Militares exerceram cargos eletivos, assim como cargos executivos através de nomeações, em diferentes momentos da nossa história.
Durante o processo de elaboração da atual carta política do país e no período que antecedeu às suas primeiras emendas, em 1993, as Policias Militares e os Corpos de Bombeiros tiveram seus interesses seriamente ameaçados, o que deu origem ao início de movimentos em defesas dessas instituições.  Nesse contexto surgiu o Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das Policias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, organismo destinado a promover a defesa dessas Corporações junto aos Governos dos Estados e, principalmente, no Congresso Nacional. Nessas ações ficou evidenciada a necessidade dessas instituições contarem com representações políticas nas casas legislativas de todos os níveis.
Com o passar do tempo, essa necessidade foi percebida pelos dirigentes das Associações representativa da classe dessas corporações e absorvida também pelo espírito de cidadania dos policiais e bombeiros militares, que teve um grande impulso com o advento da Constituição atual. Levadas por esse sentimento as Associações de policiais foram se articulando e criando entidades nacionais, na busca de criação de meios de pressão política na luta em defesa dos seus interesses
Dessa forma, teve início um processo de politização desses profissionais e uma busca cada vez maior pela ocupação de espaços políticos nas esferas Municipal, Estadual e Nacional. Nas eleições realizadas ao longo desse tempo, policiais, do serviço ativo e da reserva, foram eleitos para os Cargos de Vereadores, Prefeitos, Deputados Estaduais e Federais, em todo país. Na luta pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional nº 300, que estabelece um piso salarial para os Policias em todo Brasil, e que ainda está em andamento, com um formado diferente do original, todos esses parlamentares foram mobilizados, o que muito concorreu para fortalecer o movimento. Mas, infelizmente, ainda resta muito por fazer nesse sentido.
Na Paraíba, entretanto, a participação de Policiais Militares na Política já data do período da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder. Durante a primeira parte do Governo Vargas, 1930 até 1934, e depois da instalação do Estado Novo, de 1937 a 1945, os Prefeitos, em todo Brasil eram nomeados pelos Governadores dos Estados. Nessas condições, cidades como Alagoa Grande, Esperança, Conceição, Picuí, Taperoá, Rio Tinto, Jatobá, (Atual São José de Piranhas), São João do Rio do Peixe, Espírito Santo, Souza, e diversas outras foram dirigidas por Oficiais da Polícia Militar, na condição de Prefeito interventor.  Entre os Oficiais que exerceram essas funções podem ser citados: Elísio Sobreira, Raul Geraldo, Jacob Frantz, José Castor do Rego, Raimundo Coelho, João Gadelha, Irineu Rangel e Genuíno Bezerra.  Vários desses Oficiais foram interventores em diversas cidades. Um dos primeiros Oficiais a ocupar as funções de Prefeito Interventor  na Paraíba foi o então  Segundo Tenente José Castor do Rego, que foi nomeado para esse cargo na cidade de Caiçara, em 1933. Depois de reformado como Tenente Coronel, Castor foi  Prefeito eleito, em 1962, na cidade de Mamanguape, pelo PSD.. Em 1972 ele voltou a ser eleito, na mesma cidade, agora pelo PMDB.
Coronel José Castor do Rego - Interventor em Caiçara (1933) e Prefeito de Mamanguape (1963/66 e 1973/76)
Coronel Elísio Sobreira - Prefeito Interventor em Alagoa Grande e Esperança na década de 1940  
Major Genuíno Bezerra - Prefeito Interventor em Souza, Teixeira e Itabaiana - Década de 1940
Com a redemocratização do país, em 1946, Oficiais da Polícia Militar começaram a disputar cargos eletivos. Naquele ano, o Major Jacob Guilherme Frantz, integrando a União Democrática Nacional (UDN), partido que ele ajudou a criar na Paraíba,  foi eleito para a Assembleia Constituinte do Estado. Jacob era gaúcho e ingressou na PM em 1930, como Soldado, para participar das lutas que a Corporação empreendia contra os grupos armados liderados pelo Deputado José Pereira, na cidade Princesa Isabel. No fim dessa luta, Jacob era Tenente. Habilidoso e bem relacionado, Jacob logo angariou muito prestígio político, o que lhe garantiu o mandato de Deputado Estadual por três legislaturas (1946 a 1959). Em 1956 Jacob se licenciou para assumir a Secretaria da Agricultura, onde permaneceu até o fim do Governo. Em 1959 foi eleito Deputado Federal. Em 1960, Jacob perdeu a eleição quando foi candidato a Senador na chapa composta pelo Marechal Teixeira Lott, para Presidente, João Goulart, para Vice e Janduy Carneiro para Governador. Em 1963 foi candidato a Deputado Federal, ficando na primeira suplência, assumindo o cargo por diversas vezes durante o mandato.
Major Jacob Frantz - Deputado Estadual e Federal - Várias vezes
O Coronel Manuel Arruda, participante das lutas de Princesa, e que se notabilizou por ter efetuado a prisão de Chico Pereira, famoso cangaceiro, lançou-se na política em 1955, como candidato a Deputado Estadual, sendo eleito pelo Partido Social Democrático e reeleito para o mandato seguinte, de 1959 a 1963.
Coronel Manoel Arruda - Deputado Estadual - 1959/1964
José Lira, Coronel integrante de uma tradicional família de Oficias da PM, originária da cidade de Teixeira, foi eleito Deputado Estadual, pelo Partido Socialista Brasileiro, em 1963, e manteve o mandato por quatro legislaturas (1963/1979).                                                            Coronel José Lira - Deputado Estadual 1963/1979  

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