A PM da Paraíba na pacificação de revolta do ronca da abelha

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       Dando continuidade à série de postagens em que abordamos as campanhas militares desenvolvidas pela PM da Paraíba no decorrer do século XIX, vamos agora tratar do ronco da abelha, um episódio histórico, curioso e pouco conhecido.  Os dados disponíveis sobre esses fatos são precários, mas entendemos que vale a pena registrá-los como forma de resgate e preservação de momentos importantes da história da Polícia Militar.   
Até 1850 o Brasil não adotava o sistema de Registro de Nascimento e de óbito, não tendo, em consequência, informações concretas sobre o quantitativo de sua população. O rumo que tomava o desenvolvimento do país tornava imperativa essa providência.
Naquele ano, através da Lei nº 586, de 6 de setembro, passou a ser obrigatório, em todo território do Império, tais Registros, sendo seis dias depois, remetidos ao Presidente da Província da Paraíba, cópia da Lei e do seu Regulamento para a devida execução.
Essa legislação previa a obrigatoriedade do Registro de Nascimen­to, no prazo de dez dias, após o mesmo e, o de óbito, dentro de 24 horas, após a sua verificação, sem o que não se poderia ser sepultado o cadáver. O Registro era gratuito, podendo o escrivão cobrar uma taxa pela Certidão. Como se verifica, era apenas uma exigência burocrática, em benefício da própria administração. Entretanto, talvez pela falta de uma melhor explicação ao povo, principalmente às classes mais rudes, foi interpretado como um processo para escravizar a população livre. Lembremos que naquela época a escravidão ainda não havia sido extinta.
Tal ideia foi aos poucos sendo difundida no seio da população, culminando com a formação de um sentimento de revolta, que, em alguns locais, foi aproveitado por políticos de oposição ao Governo, origi­nando o movimento que ficou conhecido na história como: “O Ronco da abelha”.
No dia 16 de janeiro de 1852, a vila de Ingá (PB) foi invadida por mais de 200 pessoas, que se dirigindo a casa do escrivão, quebraram móveis, rasgaram e queimaram os documentos existentes. Em seguida, invadiram outras casas, provocando prejuízos materiais e ameaças físicas às pessoas. O Delegado da cidade, ao tomar conhecimen­to da aproximação dos invasores, fugiu. Idênticos movimentos se registraram também em Campina Grande (PB), Alagoa Nova (PB) e Alagoa Grande (PB).
Tomando conhecimento desses acontecimentos através de comunicações dos Juízes de Direito dessas localidades, o Presidente da Província, Antônio Coelho de Sá Albuquerque, determinou o envio de tropas àqueles locais. Naquela época o efetivo previsto da Força Policial era de 200 homens, porém só dispunha-se de 182, para atividade em todo território da Província.
Seguiram então, da Capital da Província, para vila de Ingá, onde a Ordem Pública foi perturbada em razão do movimento "Ronco da Abelha", um contingente composto por 40 homens da Tropa de Linha e 50 da Força Policial, comandados pelo Tenente Claudino Ângelo Castelo Branco. A esse efetivo foi se juntar outro composto de 20 homens da Força Policial, Comandados pelo Capitão Severino Elísio de Souza Gouveia, que formavam o Destacamento de Natuba (PB).
O objetivo era desarmar e prender os sediciosos, os quais sem oferecer resistência se dispersaram com destino a Serra Redonda (PB). O Destacamento de Areia deslocou-se para Campina Grande, Alagoa Grande e Alagoa Nova, onde efetuou prisões e desarmamentos, tendo ficado alguns policiais e revoltosos feridos.
Com a saída do efetivo da Força Policial da Capital, foi designado o Capitão da Guarda Nacional, José Pereira Dourado, para junto a 38 Praças daquela Organização, efetuar o policiamento da cidade, durante o afastamento da Tropa da Força Policial, que era a denominação da Polícia Militar na época.
Em Areia, também foi ativada a Guarda Nacional, para substituir a Força Pública, durante seu afastamento para esses combates.

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