Sargento Sobral: O trompete de ouro


         Nas décadas, de 1970/90,  o Sargento José  Sobral Gouveia, integrante da Banda de Música da Polícia Militar da Paraíba, foi considerado por seu companheiros contemporâneos  como o trompete de ouro da Paraíba daquela época. E no ano em que essa virtuosa banda está comemorando os 150 anos de sua criação, queremos registrar alguns dados desse importante músico, como forma de homenageá-lo, mesmo que de forma singela, e de externar o nosso carinho, admiração e respeito a todo os que fazem e fizeram a nossa tão querida banda de música.

     Filho do agricultor José Loureço Gouveia e Maria Luiza Sobral, nascido em 11 de maio de 1939, na cidade de Sanhoró, na época Distrito de Pesqueira, interior de Pernambuco, Sobral integrava uma família de mais cinco irmãos.  Ainda jovem, com 15 anos de idade, ele e o seu irmão Sebastião, mais novo um ano, começaram a aprender música com o Professor Ulisses, em uma escola na sua cidade natal.  Sobral começou tocando Clarinete por escolha do Professor, mas depois resolveu aprender Trompete. O instrumento do seu irmão era Trombone. Logo o professor Ulisses percebeu que aqueles dois jovens tinham futuro como músicos.  Ficaram nessa escolar durante três anos.

     Em 1961, os irmão Sobral passaram a integrar a Banda de Música da cidade de Pesqueira, onde se tornaram conhecidos pela habilidade que tinham no manuseio dos seus instrumentos.

     O Sargento Amauri, integrante da Banda de Música do 15º Batalhão de Infantaria, sediado em João Pessoa, era natural de Pesqueira onde costumava passar as suas férias. Em uma dessas oportunidades Amauri conheceu os irmão Sobral e ficou encantado com a qualidade daqueles músicos. Amauri tinha contatos com o Capitão Pedro Neves, que era o Maestro da Banda de Música da PM/PB e comentou com ele sobre os jovens músicos de Pesquira.  Pedro Neves ficou interessado e combinou que logo que fosse ocorrer concurso para Soldado, Amauri avisaria a Sobral e seu irmão.

      No ano seguinte houve concurso, e Sobral e Sebastião ingressaram na PM/PB no mês de junho de 1965 para fazer o Curso de Formação de Soldado, que foi concluído, no Centro de Instrução, no Bairro do Roger, no final daquele ano, quando passaram à disposição da Banda de Música.  No começo de 1966 os irmãos e outros Soldados Músicos foram submetidos a concurso para Terceiro Sargento sendo aprovados e promovidos. No ano seguinte Sebastião foi promovido à graduação de Segundo Sargento.

        Desde então os irmãos Sobral se destacaram entre os integrantes da Banda de Música, e se tornaram solistas em seus instrumentos. Muito dedicado à música, Sobral adquiriu um método alemão de trompete e depois dos ensaios da banda ficava estudando e praticando a teoria musical. Com isso ele foi cada vez mais se aperfeiçoando. Aos poucos ele foi ganhando a alcunha de trompete de ouro.

        Até o início da década de 1990 os carnavais de clubes eram muito prestigiados e as orquestras que neles tocavam faziam uso dos melhores músicos do Estado, entre eles muitos integrantes da Banda de Música da PM.

     A Orquestra de Frevo mais famosa da Paraíba, no decorrer das décadas de 1970/90 foi a dirigida pelo Maestro Vilôr, que era Sargento da Polícia Militar, animou carnavais de clubes e gravou diversos discos com músicas carnavalescas.  Essa Orquestra, composta por mais de vinte músicos, tocou, por muitos anos, no Clube Cabo Branco, o mais sofisticado da cidade de João Pessoa e em alguns anos no Clube Astréa.  Entre os integrantes da Banda da PM que tocavam nessa Orquestra podemos lembrar: Sobral, Miro, Zé Alves, Firmino, Morais, Bolo, Adelson, Gabriel, Travanca e diversos outros. Nessas ocasiões o Sargento Sobral tinha sempre papel de destaque com o seu Trompete.

        Teve um ano em que o Cabo Branco contratou a Orquestra de Vilôr e a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo para tocar no mesmo carnaval em um reversamento de 90 minutos de apresentação para cada. Esse fato ganhou contorno de competição entre as orquestras.  O carnaval era de sábado e terça feira e de muita animação. A orquestra de Vilôr era acostumada a tocar durante esse tempo sem intervalo e com toda empolgação, o que não era o caso dos músicos de Severino Araújo, que ficaram admirados com a qualidade e a resistência física dos músicos paraibanos.

      Como Sobral já era conhecido como o trompete de ouro, os integrantes da Tabajara ficaram acompanhando o seu desempenho, e fazendo alusões elogiosas.  Em entrevista concedida à impressa, ainda no domingo de carnaval, Severino Araújo declarou que se seus músicos fossem seguir o ritmo de Vilôr, não chegariam na segunda feira. Vilôr e seus músicos garantiram que ganharam a competição.

   Sobral também participou da Orquestra do Maestro Duda, e do Maestro Guedes Peixoto, que tocavam em carnavais de clubes em Recife, onde também tinha papel destacado.

     Quando houve a inauguração de Brasília, a Polícia Militar daquele Distrito começou a se estruturar. Uma Comissão daquela Corporação percorreu os Estados do Nordeste em busca de recrutar músicos para integrar a Banda de Música. Quando essa Comissão esteve na Paraíba, em 1967, Sobral estava em Recife integrando um grupo que estava gravando um disco e por esse motivo não teve oportunidade  de participar da seleção. O Sargento Sebastião, irmão de Sobral, e mais três outros Sargentos foram selecionados e foram incluídos na Banda de Música da PM de Brasília, onde fizeram carreira até a passagem para a reserva. Sebastião se tornou solista daquela Banda e da Orquestra Sinfônica de Brasília.

       Os músicos da banda também eram convidados a participar de conjuntos para animar todo tipo de festa. Em 1968 os Sargentos Sobral e Lero, integraram um grupo desses que animava o carnaval na casa de amigos e era formado por diversos profissionais liberas e autoridades constituídas que tinham habilidades com algum instrumento, mas que precisavam de uma base de músicos profissionais. Era o Bloco Socyte, formado por médicos, advogados, empresários, promotores e outros amigos.

   Durante os seus primeiros anos na PM, Sobral, como muitos outros companheiros seus, residiram em uma pensão situada nas proximidades do Quartel, pois os vencimentos não lhes permitiam alugar uma casa.

      Em 1989 Sobral fez o Curso de Aperfeiçoamento de Sargento e foi promovido a 1° Sargento. Ao completar 30 anos de serviço, em 1995, ele passou para a reserva na graduação de Subtenente.

    Em 1969 Sobral se casou com Adília da Silva Gouveia, que era filha do dono do Bar que existia na Praça Pedro Américo, em frente ao Quartel, onde funcionava a Estação Rodoviária da cidade. Desde então Sobral reside no Bairro de Mandacaru, nas proximidade do Mercado Público. Desse casamento nasceu Alexandre da Silva Gouveia, atualmente casado e com dois filhos.

       Em 1995, depois de 30 anos de bns serviços prestados, à Corporação,  o nosso querido trompete de ouro passou para a reserva na graduação de primeiro Sargento.

         Hoje com 78 anos e gozando de boa saúde, Sobral fala com entusiasmo dos seus dias na Polícia Militar e recorda detalhes das suas participações nas apresentações da banda e nas orquestras de frevo. Lembra de fatos curiosos e dos amigos contemporâneos na corporação a quem sempre se refere com muito carinho. Sobral é uma dessas pessoas com quem a gente pode conversar durante horas. Tive o privilégio desse convívio.

   Orquestra de Vilôr - 1 Vilôr - 2 Miro - 3 Sobral - 4 Zé Alves - 5 Adelson - 6  Bolo  7- Firmino - 8 Gabriel - Todos da Banda de Música da da PM/PBTags

Sobral, à esquerda, e um grupo de músicos no Quartel do Bombeiro - Década de 1980

Banda de Música dirigida por Sobral na inauguração da quadra de esportes do Primeiro Batalhão - Setembro de 1988

               Sobral elogiado por General ao dirigir a Banda em Guarda de Hora

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Fim do carnaval no Cabo Branco - A Orquestra conduzia os foliões até à praça em frente ao Clube 

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    Sobral com um grupo musical em festa no Quartel do Bombeiro na Maciel Pinheiro

 

Sobral integrando o Conjunto Soçaite

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2 Comentários em "Sargento Sobral: O trompete de ouro"

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José da Silva Monte
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E Haja informação nesse espaço de comunicação, são registros de tantos feitos desconhecidos e que engrandece e valoriza os componentes da nossa secular Instituição que até então, era desconhecido. Na verdade, eu sabia que Sobral era um profissional bastante qualificado como pessoa e como músico, mas os detalhes era desconhecidos, mesmo sendo meu amigo e colega por tantos anos. O conheci em 19974, quando ingressei na Corporação e vez por outra, quando tinha tempo, visita as instalações da Banda e por intermédio de Pedro Toscano de Assis que havia sido meu contemporâneo, conheci o Sobral. Portanto, esse espaço é vital… Leia Mais »
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