Desfile da PM da Paraíba no dia 7 de setembro: Emoções que não se esquecem


 

    Até 1933 a Polícia Militar da Paraíba comemorava a passagem do dia da independência do Brasil com a realização de solenidade internas. Às seis horas da manhã todo efetivo entrava em forma, inclusive a Banda de Música, e no pátio interno do Quartel onde atualmente está instalado o Primeiro Batalhão, era hasteada a Bandeira e o Comandante, ou alguém por designado, fazia alocuções alusivas ao avento. Às quatro da tarde era feito o arreamento da bandeira, também na presença da toda tropa.

  Só a partir de 1934, no Governo de Argemiro de Figueiredo, essa corporação passou a integrar o desfile militar organizado pelo Comando da Guarnição Federal no Estado. A representação do Exército foi composta por efetivos do 22º Batalhão de Caçadores (22º BC), atual 15º Regimento de Infantaria Motorizada e da 7ª Bateria de Dorso, que era sediada no mesmo Quartel do 22º BC, em Cruz das Armas.

   Naquele ano o desfile foi realizado na Praça João Pessoa e o palanque das autoridades foi armado em frente ao portão principal do Palácio da Redenção. A Polícia Militar participou com a Banda de Música e o efetivo de uma Companhia de Fuzileiro, sob o Comando do 2º Tenente Manuel Coriolano Ramalho. Os Pelotões foram Comandados pelos Tenentes Firmino Cavalcanti Figueiredo, José Domingos Ferreira e Cristiano José da Silva. O porta Bandeira foi o Tenente Manuel Pereira da Silva.

       Após o desfile do grupamento militar houve o desfile do Colégio Liceu Paraibano e Escola Normal, seguidos por outras entidades estudantis. A Banda de Música da Polícia Militar tocou durante o desfile estudantil.

   A partir de então a Polícia Militar participou de todos os desfiles cívico militar em homenagem a independência, exceto o de 1959. Naquele ano os Oficiais escalados para participarem do desfile ficaram presos no Quartel, na hora de entrar em forma, em razão de terem participado de um movimento reivindicatório. Por esse motivo a corporação não participou do desfile. Esse fato foi registrado no nosso artigo sob o título “Primeira reivindicação por aumento na PM da Paraíba: Prisão de Oficiais”, ainda disponível no nosso site.

     Portanto, nesse 7 de setembro de 2017, a Polícia Militar da Paraíba está fazendo o seu 82º desfile. Tradicionalmente, nessas oportunidades a corporação aproveita para apresentar novos uniformes, viaturas, armamento, equipamentos e novas unidades. A partir do final dos anos 1990 começaram a aparecer crianças fardadas nesses desfiles, o que, apesar de algumas críticas de extremistas, agrada muito ao público e envaidece os vibradores pais que financiam as despesas com esses fardamentos.

   Os treinamentos para esses desfiles sempre foram marcados pelo empenho de cada Comandante de fração de tropa e seus integrantes, na busca de se superar para fazer o melhor. Esses esforços são expressos nos ensaios de gritos de guerra ao fazer a continência às autoridades do palanque, cadências diferenciadas e macetes para manter a cobertura e o alinhamento, parte mais difícil na ordem unida.

     Há alguns anos o local de concentração da tropa antes de iniciar o desfile é em frente ao Colégio Pio X, onde, por mais de duas horas os mais vibradores ficam fazendo fotos com amigos e familiares que comparecem em grande número. Com o advento da câmara no aparelho celular, e os famigerados selfie essas fotos ficaram incontáveis. É também o momento do lanche, que sempre contém banana, ovo, maçã e chocolate. Mesmo como muita gente nas filas, tudo ocorre em ordem. Aí a preocupação é com a limpeza do local. Uma equipe de faxineiros é escalada para esse fim.

   Como a Banda de Música fica ao lado do Palanque durante o desfile, toda tropa, a partir de determinado ponto do trecho do desfile deixa de ouvir o bombo, o que gera dificuldade para manter a cadência. Isso às vezes gera desânimo na tropa.

   O Grupamento de Alunos Oficiais, que sempre se destaca nesses desfile pela marcialidade e pelo uniforme, começou a participar desses eventos em 1966 com os dez alunos da Paraíba que faziam o curso em Pernambuco. A  Cavalaria e o efetivo feminino começaram a participar dos desfiles no final da década de 1980. Pouco depois uma representação do Quadro de Saúde também foi integrada a esse contingente. O canil só começou sua participação em 1990. A junção desses elementos deram um maior brilhantismo aos desfiles.

        Além das emoções dos aplausos recebidos no corredor do desfile e da vibração na continência às autoridades, são muito marcantes também as solenidades de incorporação e retirada da bandeira da tropa, que ocorre na parte externa do Quartel. A revista de tropa feita pelo Governador, acompanhado do  Comandante Geral é outro momento de tensão e vibração. Para esse ato, tradicionalmente o efetivo da PM fica postado ao longo da Avenida Getúlio Vargas. Alguns dos dobrados tocados durante os treinamentos e no desfile, de tão repetidos e tão marcantes, acabam ficando gravados na mente dos policiais por muito tempo. Na véspera do desfile era aquela correria. Traquejo no uniforme, trato nos coturno, polimento nos metais, ajeitado nas medalhas e o que era mais preocupante, o medo de perder a hora.

      A corporação também participa dos desfiles que ocorrem nas cidades sedes de Batalhões, com menores efetivos, mas com o mesmo empenho e entusiasmo.

     Só os vibradores que passaram por momentos como esses podem avaliar o quanto eles são emocionantes e como ficam guardados na lembrança.

     Ao longo da carreira, vivenciei tudo isso vinte e seis vezes. Não posso e nem quero esquecer.

                            Aspectos do desfile de 1999

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